De saco cheio


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Dilma, desesperada com os bastidores do país que Lula, seu criador, lhe legou, está passada, não fala coisa com coisa. Percebe-se em seus discursos. Tornou-se a ‘boba da corte’ das redes sociais. Penso que ela foi, desde sempre, bucha de canhão. Lula não poderia candidatar-se de novo, e de novo, e de novo, a continuar na presidência. Então, a ‘fabricou’. Para impingi-la à nação, repetiu a antiga fórmula do nazismo de Hitler: repetiu mentiras tantas vezes que se tornaram verdades.
 
Lula imaginou que teria céu de brigadeiro até voltar. Não previu, porém, a falta de cintura de Dilma. Ela e seus desacertos causaram indignação a dois terços da população brasileira. (Voce sabe. Um terço dos brasileiros não votou na reeleição dela. Outro terço não foi  votar, ou votou branco, ou nulo, para ‘protestar’ burramente. O país pior que se produziu apenou a todos, indistintamente, até aos que oPTarem  pela continuidade do projeto de poder de Lula. Lula, que não lê, também se esqueceu da imprensa séria e de parte do Judiciário. A série de descuidos ensejou a  Joaquim Barbosa cuidar da hidra chamada ‘mensalão’. Abriu a caixa preta, mas, estranhamente, sumiu.  Talvez um dia, a história conte a razão.
 
O povo, incomodado, incipiente consciência crítica brotando, foi às ruas. A imprensa continuou fazendo seu papel, — que não é julgar para contar, e sim, contar, dar o fato à luz. Surgiu Sérgio Moro.  Diga-me: já tinha visto políticos e empresários graúdos, sempre ‘acima de qualquer suspeita’, amargarem cadeia? Não? Nem eu. Para mim, falta agora o povo (como um todo) criar vergonha na cara e não aceitar que continuem ‘acertando’ caixas depenados com o suor das pessoas comuns, que realmente trabalham. 
 
Não foram as pessoas comuns que pediram a Copa no Brasil, mas ‘o Brasil fez porque tinha que fazer’. Tinha? Dirigentes da Fifa e a CBF estão imersos até a raiz dos cabelos em falcatruas que lhes significaram milhões nos próprios bolsos. Políticos também? Quem sabe uma CPI da Copa...
 
A Petrobras continua  elevando preços às alturas para  recompor seus caixas. Alega que não sabia das sangrias criminosas que cometiam em suas contas, mas não apenas quem praticou. Esfola de novo, e como sempre, os homens comuns que pagam e  não reclamam.  
 
Você tem olhado suas contas de luz ? Sabia que com as tais ‘bandeiras’ da energia elétrica as concessionárias nos fazem pagar pelo custeio da geração, que deveriam enfrentar sozinhas? E, pior, que também somos nós que pagamos o pato porque as condições climáticas não as beneficiam? 
 
Não adianta mais ir à ruas. Não produz resultados práticos. Temos que praticar ações concretas, inteligentes, não burras e nem violentas. Em Belo Horizonte, certa época, o povo se uniu contra aumento de combustíveis e, organizadamente, não comprou de determinada rede por um tempo. Escolheu postos onde, se cobrava menos pelo abastecimento e os divulgou. Com energia elétrica e água é mais difícil qualquer medida prática, mas é inteligente deixar de lavar carros e calçadas e tomar banhos mais curtos. A regra é mexer nos bolsos dos grandes.
 
Conversei esta semana com Wanderley Cintra Ferreira, presidente do ‘Allan Kardec’. Ele está bravo. A plenos pulmões tem gritado sobre acertos estranhos entre a Prefeitura e o governo federal para ‘desinstitucionalizar’ o hospital. Acham que têm que gastar com o que o prefeito francano chama de ‘depósito de gente’ (o termo é dele, dito no ‘Ronda’ da rádio Difusora, ontem). Políticos dizem publicamente, sem nenhuma vergonha, que instituições hospitalares sérias, corretas e competentes são depósitos. E de que nós somos lixo, sem possibilidade de reciclagem...  
 
Concordamos, Wanderley e eu, sobre jamais ficar calados. ‘Temos que ser cães bravos que guardam fortemente o que lhes compete defender.  Se querem nos enganar, temos que morder’, disse-me. Como ele, estou de saco cheio.
 
 
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
 

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