O policial militar aposentado Cícero de Souza deixou sua casa, no Parque do Horto, no começo da tarde de ontem para resolver compromissos particulares no Fórum de Franca. Encontrou o portão fechado. Ele não foi o único. Dezenas de pessoas passaram pelo mesmo aborrecimento. O Poder Judiciário suspendeu expediente e prazos por conta da necessidade de ajustes em equipamentos e infraestrutura tecnológica. Só advogados e a polícia foram avisados. O atendimento voltará ao normal na segunda-feira. Até lá, funcionará apenas o regime de plantão. Com a Justiça parada, o Ministério Público também suspendeu suas atividades.
O recesso forçado de três dias começou quarta-feira. A Justiça informou que a suspensão se faz necessária, pois o trabalho no setor de tecnologia requer o desligamento total da rede, o que impede o acesso aos serviços de computadores. A adequação será efetivada gradativamente em todas as comarcas do Estado. O Tribunal de Justiça enfrentou, nos últimos dias, instabilidade ou indisponibilidade na rede devido à modernização de diferentes sistemas de informática, fruto da reforma no seu parque digital.
Quarta-feira e ontem, o plantão do Judiciário da Comarca de Franca foi transferido para Pedregulho. Hoje, funcionará em Patrocínio Paulista. No fim de semana, voltará para Franca. “Fui pego de surpresa ao chegar aqui e ver a porta fechada. Não fomos informados que não teria expediente. Perdemos um tempo, que poderia ter sido evitado, se a gente soubesse que não estava funcionando. Pelo menos, meu caso não era urgente”, afirmou o policial Cícero de Souza.
O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) Franca, Ivan da Cunha Souza, afirmou que o fechamento do Fórum por três dias provoca transtornos para os advogados e, principalmente, para a população em geral. “A gente entende a necessidade da Justiça fazer adequações na sua rede, mas tem que ser uma medida planejada. Não pode ser de maneira repentina.”
Para ele, a suspensão dos prazos não resolve o problema. “O Fórum não é só processo. A Justiça também presta outros serviços que estão parados, como emissão de certidões para negócios imobiliários e para arrumar emprego. Processualmente, não há problema, mas as pessoas que dependem do outros serviços estão sendo prejudicadas”, completou Cícero de Souza.
Neste mês, completa um ano que o Poder Judiciário de Franca mudou para o novo endereço. O Fórum saiu da avenida Doutor Ismael Alonso y Alonso, na área central da cidade, e se instalou no prédio do antigo Calçados Charm, na Presidente Vargas. Todos os dias, uma média de 2,1 mil pessoas passam pelo local.
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