Interesse pessoal supera o coletivo


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Não é a primeira vez que abordamos este assunto por aqui. E, pelo andar da carruagem, não será a última. A questão é que a classe política brasileira, em sua grande e esmagadora maioria, não se deixa levar pelos interesses da população brasileira que, na realidade, lhe dá o mandato e garante os seus vencimentos. Como se dizia antigamente, “primeiro os meus” é o que move não apenas os eleitos para cargos administrativos, mas também todos os demais que engrossam a máquina administrativa, ocupando cargos comissionados nos quais se preocupam apenas com os salários e benesses proporcionados pelos cofres públicos. Qualquer decisão a ser tomada, no âmbito dos legislativos, só é avaliada em termos pessoais.
 
Nos últimos dias, as movimentações que se verificam no centro do Poder, em Brasília, deixam bem clara a forma como as coisas são feitas em nosso País. No mesmo momento em que se vê ameaçada com um processo de impeachment, Dilma Rousseff (PT) resolveu capitular e entregar ao PMDB (seu maior aliado, que pode se tornar o fiel da balança no Congresso) os sete ministérios exigidos. Uma prova do desgoverno que toma conta deste segundo mandato da presidente, que se vê literalmente nas mãos dos deputados aliados para aprovar pontos do ajuste fiscal e evitar o processo que pode tirá-la do cargo. E os deputados e senadores não fazem a menor questão de pelo menos disfarçar o corporativismo e o fisiologismo que os move. Não há disposição em defender os interesses da maioria da população que hoje se vê abandonada e efetivamente penalizada, tendo que tirar dos bolsos o dinheiro necessário para cobrir os rombos da errática política econômica dos últimos anos e os desvios da corrupção que envolve agentes públicos e políticos.
 
Quando um parlamentar ou político defende abertamente o povo, é preciso saber ler nas entrelinhas e buscar as suas verdadeiras motivações. A prova disso é a comparação dos discursos de cada partido quando na situação e na oposição. Todo situacionista usa os mesmos argumentos, independente da ideologia partidária. O mesmo ocorre com os oposicionistas. Enquanto isso o brasileiro continua sendo cobrado de forma crescente no decorrer dos anos, sem que tenha acesso a serviços públicos de qualidade. Por isso, antes de qualquer coisa, precisamos reavaliar as nossas escolhas, nas eleições proporcionais ou majoritárias, para mostrarmos àqueles que se consideram perenes, a nossa insatisfação. Do contrário, continuaremos alijados das decisões que nos afetam, como vem ocorrendo até agora.
 
 
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