Secretária admite saber que médicos moravam no PS


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A secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, durante prestação de contas, nessa quarta
A secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, durante prestação de contas, nessa quarta
A secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, admitiu nessa quarta-feira que sabia que médicos do ICV (Instituto Ciências da Vida) moravam no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”. A confirmação foi feita durante a prestação de contas da Saúde, realizada ontem na Câmara Municipal, que durou mais de duas horas. 
 
Segundo Rosane, ela tomou ciência das “superescalas” - em que os médicos permaneceriam até 29 dias seguidos atendendo sem descanso, mas que, na prática, era um esquema de revezamento - ainda no primeiro mês de atuação do instituto. “Eles, de fato, estavam mesmo morando no quarto de descanso. Eu sabia disso”, admitiu.
 
Ainda de acordo com a secretária, ela teria comunicado o fato ao secretário de Recursos Humanos, Humberto Mazza. “Chegamos a discutir esse assunto em diversas reuniões.” Mas, segundo ela, como os profissionais teoricamente estavam dentro do pronto-socorro à disposição, a Prefeitura não viu problemas. 
 
Sobre o fato de, mesmo com a saída do ICV, as superescalas continuarem, Rosane tentou justificar dizendo que, neste primeiro mês do novo modelo, não havia médicos credenciados suficientes para cobrir todos os dias de atendimento. “Muitos médicos que se habilitaram são de outras cidades e até Estados. Eles não tinham condições de começar imediatamente a atender. A solução, para não deixar a população sem médicos, foi colocar o mesmo profissional repetidamente.” 
 
Ela não comentou a afirmação dos próprios médicos do PS de que, para conseguir permanecer tanto tempo no pronto-socorro, eles, na verdade, faziam um esquema de revezamento, dividindo as 12 horas de plantão noturno, mas recebendo todos pelo plantão completo.
 
Números
Rosane apresentou os números de atendimentos na rede municipal no segundo quadrimestre do ano (de junho a agosto). Segundo ela, os prontos-socorros, onde atuavam os oito falsos médicos contratados pelo ICV, foram responsáveis por quase metade das consultas feitas na cidade. No período foram realizadas 337 mil consultas. Destas, 43% foram nos dois prontos-socorros. 
 
A secretária também afirmou que a Prefeitura já ultrapassou o percentual de gastos na Saúde estipulados por lei. “A legislação determina que apliquemos 15% do orçamento na Saúde. Até agosto, a Prefeitura gastou 26,92% e devemos fechar o ano em 32%.” Em valores, o gasto total ultrapassa os R$ 96 milhões, a maior parte deste valor foi usada para pagar os salários dos mais de 1,4 mil servidores da pasta.
 
 

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