Aumento na conta de luz gera reclamação e desespera francanos


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Com o pai desempregado, Milena Cristina do Nascimento viu o valor da conta de energia crescer mais de 100% nos últimos meses
Com o pai desempregado, Milena Cristina do Nascimento viu o valor da conta de energia crescer mais de 100% nos últimos meses
Muitos francanos têm enfrentado dificuldades para conseguir pagar as contas de luz. Depois de receber diversas reclamações, a reportagem do Comércio esteve na sede da CPFL Paulista em Franca. No local, clientes questionavam os valores cobrados. O aumento nas contas, de acordo com os próprios consumidores, em alguns casos ultrapassa os 150%.
 
Somente neste ano, foram repassados para os clientes dois aumentos na energia elétrica. O primeiro deles em março, quando a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) autorizou o aumento de 31,8%, devido a uma revisão extraordinária de tarifas. Menos de um mês depois, em abril, a CPFL aplicou o reajuste anual, que na época provocou o aumento de 4% nas contas de luz para os consumidores residenciais e mais de 5% para as indústrias.
 
Pagando em média R$ 15 por mês na conta de energia, Clébia Joana Alves, 36, moradora do Jardim Planalto levou um susto quando abriu a conta deste mês. “Não acreditei quando vi o valor de R$ 106. É um verdadeiro absurdo, não alterei nada na minha rotina e é simplesmente impossível eu pagar essa conta”, disse a dona de casa, que mora apenas com dois filhos.
 
Outro a reclamar do aumento é o sapateiro Mateus de Oliveira Fernandes, 32, morador do Parque Progresso. Dividindo a casa apenas com a mulher e dois filhos, ele diz que não houve mudanças na rotina que justifiquem o aumento da sua conta, que passou de R$ 80 para R$ 150. “Estou aqui hoje buscando uma justificativa para o aumento. Não estou conseguindo pagar o valor que estão cobrando, está complicado demais. Vou tentar renegociar, pois não sei o que fazer”, disse. 
 
Com o pai desempregado há quatro meses, a dona de casa Milena Cristina do Nascimento, 31, moradora do Ana Dorothéa procurou a CPFL depois que, mesmo sem aumento no consumo, o valor da conta da casa dobrou o valor. “No ano passado a conta em casa era R$ 80, no máximo R$ 90 por mês. Depois dos aumentos, esse valor dobrou e passamos a pagar mais de R$ 200. Meu pai está desempregado e é ele quem paga as contas”, disse. 
 
Há alguns meses a dona de casa Daniela Cristina Silva, 29, que mora no bairro Ângela Rosa, tem enfrentado dificuldades para pagar a conta de energia. Mesmo consumindo a mesma média de luz que os meses anteriores, o valor da conta deu um salto. “Meu marido é o único que trabalha e estamos enfrentando bastante dificuldade para pagar a conta, que passou de R$ 90 para R$ 254 neste mês”, disse. 
 
Além do aumento de cerca de 36% que passou a vigorar nesse ano, os consumidores também pagam acréscimos realizados em casos de maior consumo, devido ao sistema de bandeiras verde, amarela e vermelha. 
 
No momento, a bandeira cobrada é a vermelha, o que significa R$ 4,50 a mais nas contas a cada 100 kWh para todos os consumidores.
 
Procon
De acordo com o coordenador do Procon (Órgão de Proteção e Defesa do Consumidor) de Franca, Willian Karan Júnior, as reclamações devido ao aumento nas contas de energia cresceram no primeiro semestre, principalmente após o anúncio dos reajuste, mas caíram nos últimos meses.
 
A orientação, para quem se sentir lesado com os valores praticados, é acionar a própria CPFL e, se não obtiver retorno, procurar o Procon para que a situação seja analisada e a empresa acionada. 
 
Outro lado
A assessoria de imprensa da CPFL Paulista informou apenas que as reclamações devem ser realizadas através dos canais de atendimento da empresa ou em uma agência de atendimento presencial.

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