O presidente do hospital “Allan Kardec”, Wanderley Cintra, foi à Câmara Municipal e fez um discurso contundente na tribuna, ontem. Disse que a entidade que presta serviços à sociedade há 93 anos corre o risco de fechar as portas. Atribuiu a culpa aos políticos da cidade. “Se houver o desmanche do hospital, a culpa será da administração e dos senhores vereadores”.
O hospital tem uma dívida de R$ 500 mil, mas o entrave não é questão financeira. Cintra afirmou que a Prefeitura está costurando um acordo com o governo federal para mudar o modelo de atendimento prestado atualmente.
A intenção é incentivar a “desinternação”. Ele teme que a medida possa acabar com as internações, fazendo com que a entidade perca sua finalidade.
No dia 23 de setembro, representantes da Prefeitura se reuniram com equipes do governo federal, Ministério Público e Defensoria com o objetivo de discutir proposta do Ministério da Saúde, que prevê a instalação de uma rede de atendimento diferente do que é feito atualmente.
“Para nossa surpresa, nossa fundação não foi convidada. Tivemos conhecimento de ofício da Secretaria da Saúde, onde dizia que a finalidade era para ‘adotar medidas necessárias visando a retirada dos pacientes’. Iniciada a execução do plano de ação, não haverá novas internações no hospital”.
Wanderley Cintra disse que a proposta começou a ser discutida pelo município e União após a Justiça Federal obrigar o governo a reajustar para R$ 102,60 o pagamento diário por paciente SUS (Sistema Único de Saúde) abrigado pelo hospital.
“Enquanto estava pagando R$ 42, o hospital era importante para Franca e região. Agora, que passou para um preço mais digno, o hospital está descartado? Essa é a nossa preocupação. Por isso viemos na Câmara passar isso aos vereadores para que eles não entrem para a história como aqueles que, ao lado do prefeito, fecharam o hospital ‘Allan Kardec’”, disse o presidente.
Para Cintra, se o plano de ação planejado pelo município e governo federal for implantado, o risco da entidade centenária fechar as portas é real. “É obvio que isso acontecerá. Se tirar os pacientes, o hospital está fechado. A lei que querem aplicar agora é de 2001, tem 14 anos. A União, Estado e Município não fizeram a parte deles, que era implantar alternativas de tratamento na área de saúde mental. O hospital fez. Agora, querem nos descartar”, reclamou.
Reação
Após as críticas do presidente, a base aliada do prefeito agendou uma reunião com o Alexandre Ferreira para discutir o assunto já nesta quarta-feira. Cintra recusou o convite.
Em nota enviada à Redação, a Prefeitura disse que sempre atuou para manter o atendimento prestado pelo hospital, “propondo a criação de um Comitê Gestor modelo semelhante ao implantado na Santa Casa”.
Afirmou que o Ministério da Saúde definiu por uma política de desospitalização dos pacientes mentais, adotando outras formas de tratamento, as quais os hospitais desta área devem se adequar.
Disse que a manutenção do hospital é uma “bandeira” e que continuará trabalhando para garantir o acesso à rede de saúde pública aos pacientes da saúde mental.
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