O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) exonerou Bruno Marinho do cargo de diretor-administrativo do Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”. A portaria determinando a demissão do cargo de confiança foi publicada no Diário Oficial do último sábado. No documento, o prefeito não explica os motivos da demissão. Nos corredores do PS, o que se comenta é que Marinho teria sido pressionado depois de seu depoimento à CEI (Comissão Especial de Inquérito), que investiga a ação de uma quadrilha de falsos médicos e os contratos assinados entre a Prefeitura e o ICV (Instituto Ciências da Vida), empresa responsável pela contratação dos falsários. Incomodado, o então diretor teria pedido demissão.
Na Prefeitura, como já é praxe, ninguém quis comentar o assunto. O Comércio tentou falar com Marinho, mas foi informado pela secretária de Saúde, Rosane Moscardini, que ele não está autorizado a conceder entrevistas. A própria secretária se recusou a dar informações sobre a demissão. Confirmou apenas que ele voltou ao seu cargo de escriturário na Secretaria Municipal de Saúde.
Marinho trabalha na Prefeitura desde maio de 2005. Em 2007, assumiu a gerência do NGA16, onde são realizadas as consultas com médicos especialistas. Em setembro do ano passado, passou a responder pela direção administrativa do Setor de Urgência e Emergência da Secretaria de Saúde, que à época correspondia aos prontos-socorros Infantil e “Álvaro Azzuz”.
O ex-diretor foi ouvido pela CEI dos Falsos Médicos no dia 28 de agosto. Para os vereadores, ele admitiu que não havia qualquer tipo de fiscalização sobre os médicos contratados pelo ICV. “Não temos ninguém para fazer essa verificação. Não sou o responsável por este acompanhamento. Não sei como são os descansos nem quantos e como fazem plantões seguidos. Tudo fica a cargo do próprio ICV, que tem dois coordenadores”, disse Marinho.
Ele também explicou como eram feitas as estatísticas que embasaram o pagamento ao instituto. “Elas se resumem em separar as fichas de atendimento, com base nos carimbos dos médicos, e contar quantos atendimentos foram feitos e em quais horários. Com base nos dados, era emitido um relatório para a Secretaria de Saúde, que repassava o pagamento do serviço ao ICV.”
Marinho também admitiu que não havia conferência se o nome carimbado pertencia de fato ao médico que prestou o atendimento.
Na mesma portaria em que exonerou Bruno, o prefeito Alexandre Ferreira nomeou para o seu lugar Lucas Eduardo Souza, servidor concursado da Prefeitura.
O ICV atuou em Franca de julho do ano passado a 4 de setembro deste ano. No período, foram cinco contratos assinados em caráter de urgência. Até o momento, a Prefeitura já repassou ao ICV mais de R$ 22 milhões. O instituto era responsável por disponibilizar médicos para o atendimento nos prontos-socorros. Foi entre os profissionais da empresa que a polícia identificou oito falsos médicos agindo. Dois deles chegaram a ser presos e hoje respondem a um processo criminal em liberdade.
Em Franca, o caso continua sendo investigado pela Polícia Civil, pelo Ministério Público e pela Câmara Municipal.
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