Não, não vou falar do filme famoso Amargo Regresso, de 1978, com Jane Fonda, Jon Voight e Bruce Dern, ganhador de vários prêmios. Quero falar, na realidade, do Brasil e dos brasileiros, tentando saber quando é que teremos nossa felicidade de volta, e, até porque não dá para ser diferente, quanto e quanto isso irá nos custar?
Os destroços da economia brasileira estão por toda parte: nos últimos 12 meses, até agosto, foram ceifados quase um milhão de empregos formais, aqueles com carteira assinada. Até o final do ano, certamente, ultrapassaremos a marca, e a previsão é do próprio Ministro do Trabalho. O que nos liga ao filme famoso ao qual me referi é que, nos casos — o filme e o Brasil — estamos diante de um drama cruel.
A CNC (Confederação Nacional do Comércio), com base em dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) estima que 5,6% dos estabelecimentos comerciais brasileiros deixaram de existir em 12 meses, até agosto. A redução reflete, obviamente, no volume de emprego, diminuindo oportunidades de trabalho.
O dólar ultrapassou os R$ 4 e continua subindo. A desvalorização cambial pode até ser boa para as exportações, vez que torna o produto brasileiro mais competitivo no mercado internacional, mas, em compensação, penaliza duramente empresas que têm dívidas em moeda estrangeira. Por sua vez, os preços em reais continuam subindo aceleradamente, e em praticamente todos os setores.
Voltamos, assim, à questão proposta no início destas considerações. Quando é que vamos sair dessa situação constrangedora? Quando vamos desfrutar, novamente, de paz e prosperidade? O governo dizia que já em 2016 a inflação estaria sob controle, seu índice no centro da meta (4,5%) e o PIB em crescimento. Foi a pregação de ilusões e de fantasias.
De verdade mesmo, retorno à normalidade deve demorar muito. Afirmo: não virá antes de 2018. Até lá, o caminho será difícil e estreito. Na realidade, e ai está outra triste ligação com o filme, será um amargo regresso!
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA/USP
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