Uma diretriz equivocada


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Mais uma vez, a presidente Dilma Rousseff (PT), em discurso durante a abertura da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) na última segunda-feira, voltou a bater na tecla da crise global para explicar a situação do Brasil, em plena recessão e caminhando celeremente para um profundo buraco do qual será difícil emergir. Ao mesmo tempo, o governo realiza agora uma verdadeira engenharia política para garantir apoios que lhe permitam aprovar a volta do imposto do cheque e, ao mesmo tempo, barrar um processo de impeachment que o Congresso pode começar a discutir já a partir de outubro. Neste momento, Dilma corre o risco de se tornar refém do PMDB e, mesmo assim, não conseguir os votos necessários para se manter no poder, uma vez que o principal aliado continua dividido quanto a apoiar o governo petista com o risco de se queimar de vez ao “colar” a sua imagem a uma administração mal avaliada e que não promove as mudanças necessárias para recuperar o equilíbrio fiscal.
 
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, vem garantindo que não há outro plano além da volta do imposto do Cheque (nos moldes da famigerada CPMF), taxando qualquer tipo de movimentação financeira em 0,20%. “É nosso plano A, B, C e D”, disse Levy ontem, ao descartar qualquer outra estratégia. A reforma ministerial, que poderá suprimir dez pastas, não deverá ter qualquer efeito prático já que não haverá cortes na máquina administrativa. A presidente pretende ‘jogar para a torcida’ sem que isso realmente atinja as despesas correntes, com pessoal. Assim, não há outra solução, pelo menos para o governo, que não um novo tributo para equilibrar as contas que se descontrolaram por causa de uma política econômica temerária, errática e estabanada adotada nos últimos anos.
 
É necessário que a presidente assuma a própria incapacidade e reconheça que a culpa do que acontece hoje é exclusivamente dela e de sua equipe, por causa da “contabilidade criativa” e das “pedaladas fiscais”. Somente assim ela terá condições de buscar saídas para a crise, que passam pela desidratação da máquina administrativa e corte de mordomias e benefícios que são concedidos aos agentes públicos e políticos. Apenas isso já seria o bastante para reduzir o déficit atual sem a necessidade de atacar ainda mais o bolso de quem trabalha e produz. Assim como um viciado em drogas que precisa reconhecer a sua impossibilidade de abandonar o vício e aceitar o tratamento, Dilma também precisa reconhecer que a crise é resultado de suas decisões e, antes de exigir mais do brasileiro, deve cobrar coerência de seus aliados e cortar na própria carne.
 
 
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