Recomeçar é começar de novo. Parece fácil, mas não é. A vida é dotada de ciclos. Portanto, tem altos e baixos, acertos e erros, vitórias e derrotas, começo e fim. O fim pode não ser o fim em si mesmo, mas a possibilidade de um novo começo.
Tem momentos que precisamos dar um ponto final em situações que se apresentam como prejudiciais. Quantas vezes estamos insatisfeitos com o local de trabalho, com o salário, com o relacionamento amoroso, com os amigos, e nada fazemos por medo de errar, ou por não saber o que fazer?
Fato é que permanecer nessa situação é danoso. Com prudência pode-se preparar quaisquer mudanças necessárias. No trabalho podemos demonstrar que temos outras habilidades/capacidades que podem ser aproveitadas e com isso obter um novo posto que nos faça mais felizes e até, um aumento no salário. Se a empresa não reconhecer o nosso valor, está na hora de mudar de emprego.
No amor também se pode doar mais e exigir do outro, reconhecimento. Se não houver reconhecimento é necessário dialogar para acertar as diferenças.
Diferenças não aparadas podem ser determinantes para conduzir um casal a terminarem relacionamento.
Amigos são tesouros que a vida nos dá e os reconhecemos, para valer, nos momentos de dificuldades. Os temos poucos, colegas vários, principalmente se a situação financeira não é favorável. As vezes, amigo mesmo, de verdade, se revela em pessoa de quem menos esperávamos.
Recomeçar exige superação do luto decorrente da perda, do fim, mesmo que o termino seja a atitude correta. Ouvi de pessoa que se divorciou, de que ela tinha ‘certeza que fizemos a coisa certa e no momento certo, mas estou triste’. Perguntei-lhe a razão. A resposta: ‘por que sou humano. Tínhamos sentimentos, vivemos coisas boas, havia boas lembranças mas nada disso foi suficiente para nos manter casados’. É preciso coragem e maturidade para tomar decisões que impliquem, necessariamente, em recomeço.
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário
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