A quem interessa o atentado à Crazz?


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Num episódio que só encontra paralelo no período em que a ditadura militar obnubilou por vinte anos todo o Brasil, cinco meses após ter o setor de classificados do Comércio destruído por marginais que explodiram o caixa eletrônico existente no local para levar o dinheiro, o GCN sofreu ontem mais um duro golpe: um bandido provocou um incêndio que destruiu totalmente as instalações da Crazz Publicidade, instalada num prédio em frente à sede do grupo, na avenida Eliza Verzola Gosuen. Não sobrou nada: equipamentos eletrônicos, móveis, documentos e materiais diversos foram inteiramente consumidos pelo fogo. Isso lembra bem os fatos ocorridos durante os anos de chumbo, como atentados contra órgãos de imprensa, bancas de revistas, shows com artistas considerados subversivos pelo regime e até a sede da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Hoje, sabe-se, a maioria destas ações partiam de agentes da ditadura militar.
 
Agora, o GCN vê-se alvo de um ataque covarde e que, a princípio, mostra ter apenas um motivador: a intimidação. Na impossibilidade de atacar diretamente a sede principal do grupo, em razão da dificuldade de acesso e a possibilidade de serem surpreendidos, os mandantes deste crime resolveram assestar suas baterias contra a Crazz, que é responsável pelo setor de marketing do GCN. Eventos organizados pelo grupo também são preparados pela equipe. O prédio destruído ainda abrigava o Cedoc (Centro de Documentação) do grupo, onde documentos importantes de todos os setores ficavam armazenados. Foi tudo perdido.
 
Em razão das imagens das câmeras de segurança, a certeza é de que o incêndio foi criminoso, uma vez que o combustível que teria iniciado as labaredas foi espalhado por todo o prédio, onde o marginal ficou cerca de duas horas. A quem interessa esta ação criminosa? Certamente àqueles que pretendem calar a voz do jornal e da Difusora, pertencentes ao mesmo grupo, que se postam ao lado de seus leitores e ouvintes, não se deixando calar nem diante de pressões e da força do poder econômico. Se esta for a intenção, cada vez mais estaremos imbuídos do nosso mister de informar, criticar e investigar, denunciando os desmandos, as falcatruas e fraudes que prejudiquem o povo francano, para quem nos dirigimos e o qual defendemos com férrea obstinação. Não vamos nos deter, nem nos abater, pois confiamos no trabalho de investigação da polícia para solucionar este crime e na Justiça para julgar e penalizar todos aqueles que participaram deste atentado.
 
 
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