Não há dúvidas de que o ingresso do país no mundo desenvolvido requer, obrigatoriamente, educação de qualidade e extensiva a todos, mas, ao que parece, nossas elites políticas não pensam assim.
São Paulo, sob governo de um mesmo partido há 20 anos, tem promovido múltiplas iniciativas que, na prática, redundaram na deterioração da aprendizagem.
A razão do fracasso se justifica no impedimento de pais, alunos e professores em participar de discussões e compartilharem decisões.
Não é desconhecido o desejo de burocratas e educadores alheios à realidade da sala de aula que integram a Secretaria Estadual da Educação, por fim a escolas que oferecem mais de um ciclo — ensino fundamental ciclo II e ensino médio. Implantado, fará com que professores tenham de completar suas jornadas em mais de duas escolas; e a pais, que enfrentem o inconveniente de levar seus filhos a escolas diferentes, distantes de suas residências. Trata-se de decisão que contraria discurso oficial ancorado em gestão democrática e participativa.
Nada contra mudanças. Apenas o que se espera é que haja consultas, que se ouça as principais partes envolvidas, os professores, os pais e os alunos. Também é indispensável que mudanças, para não causaram problemas graves, sejam implantadas paulatinamente, dando tempo à adaptação de seus players. Diz o secretário estadual de Educação que a preocupação é apenas com o aluno, mas sabemos muito bem que não há qualidade na aprendizagem sem que haja professor valorizado no seu salário e condições de trabalho.
Afinal, entendo que todo o discurso do governo paulista quanto a esse caso, é apenas forma de velar suas reais intenções, as de reduzir custos e municipalizar de vez o ensino fundamental. Se acontecer, temos que pensar em Franca e em seu prefeito: tudo indica que nas escolas municipais também não se cobrará certificação do professor, tal como acontece com a saúde em relação ao médico.
Dársio Batista
Professor, leitor deste Comércio da Franca
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