Uma debandada que preocupa os petistas


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Nem quando o processo do Mensalão colocou líderes do partido na cadeia, como o ex-ministro José Dirceu. o ex-deputado federal José Genoino (que era o presidente petista) e o então tesoureiro Delúbio Soares, ocorreu uma fuga tão grande de filiados do PT (Partido dos Trabalhadores). Agora, com o aprofundamento das investigações da Operação Lava Jato, um grande movimento vem sendo feito por políticos com mandato no sentido de abandonar o PT e buscar outras legendas para conseguir se manter na vida pública. Muitos deles não querem ter o nome relacionado com o partido que vem sendo apontado como principal responsável pelo esquema de corrupção que funcionava na Petrobras e em outras estatais e ministérios.
 
Na tentativa de conter uma debandada estimada em dez deputados e três senadores, o PT escalou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar impedir uma possível fuga de parlamentares e prefeitos petistas. Segundo integrantes da direção petista, Lula vai dividir com o presidente nacional do PT, Rui Falcão, a tarefa de convencer os descontentes a permanecerem na legenda. A preocupação aumentou na última semana com o anúncio do deputado Alessandro Molon (RJ), ex-vice-líder do PT na Câmara, de trocar a legenda pela Rede, da ex-senadora Marina Silva. Neste ano, segundo o diretório nacional do PT, 21 prefeitos deixaram a legenda, sendo que 14 são de São Paulo, quatro do Paraná e dois de Mato Grosso, além do mandatário de João Pessoa (PB), Luciano Cartaxo.
 
Embora o partido afirme em público que não está preocupado com o movimento, há quem considere que haja um ‘êxodo’ que pode aumentar ainda mais com a aproximação do fim do prazo legal para filiações partidárias de quem pretende ser candidato nas eleições municipais do ano que vem (que se encerra em outubro). Como as investigações estão chegando bem perto de outros políticos do PT com mandato (além do PMDB e do PP) e já se aproximam do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff, que ostenta ínfimos 7% de aprovação, ninguém quer ter o nome associado a um partido que estimula a corrupção para manter um plano de poder, como demonstram as investigações do Petrolão. O cenário não é favorável ao PT, que surgiu como último bastião da ética na política e transformou-se em balcão de negócios espúrios. O partido esperneia para evitar o esfacelamento total, político e moral. E pode perder a capacidade de seduzir o eleitorado, o que provoca a fuga em massa de seus filiados. As eleições do ano que vem deixarão bem claro até que ponto a legenda foi prejudicada.
 
 
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