A propósito do que escreveu o colunista Contardo Galligaris, no caderno “Ilustrada” da Folha de S.Paulo (12/03/2015), sobre danos causados pelo Mal de Alzheimer — que acomete cerca de 1,2 milhões de brasileiros — ressaltando o fato da doença impedir que o enfermo se lembre até das suas afeições mais queridas, e avaliando um lado do mal como positivo — “não seria maravilhoso viver cada experiência como se fosse a primeira vez?” —, cumpre-nos considerar a justiça da reencarnação.
Considerando o que dizem os que não acreditam na volta do espírito a um novo corpo porque não se lembram de suas vidas passadas, é oportuno esclarecer que muitos, principalmente crianças, em certos casos, lembram-se.
Precocidades como a da italianinha Gianella di Marco que, aos 9 anos, regia orquestras como se maestrina fosse; de Mozart que, com quatro anos executou uma Sonata, aos onze, compôs duas pequenas óperas; de Beethoven, que aos dez, exibia seu talento de executante; Paganini, aos nove, aplaudido de pé em concerto em Gênova, são casos de memória do que já sabiam.
Tenros na vida física, eram espíritos velhos a renovar. Platão asseverava: “aprender é recordar”.
Já, na lei de causalidade, a infelicidade com Alzheimer ou felicidade com a sua ausência é questão de consequência natural das vidas. É causa e efeito no jogo da conduta consciente. O fato de esquecer até de coisas do presente — decorrência da redução do número de neurônios e suas sinapses —, é como computador, software qualificado para suas funções, mas hardware avariado.
Ainda sem mérito para a redenção de sua conduta prévia, o homem segue vítima do Alzheimer, visto que a regeneração dos neurônios continua sendo um desafio para a ciência. É, contudo, “maravilhoso viver cada experiência como se fosse a primeira vez”, até porque, na sábia asserção de Emmanuel, pela psicografia de Chico Xavier, “é a bênção do recomeço”.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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