PMDB já se apresenta para substituir Dilma


| Tempo de leitura: 2 min
Prevista para ser anunciada nesta semana — a presidente Dilma Rousseff (PT) pretendia apresentar seu novo ministério entre anteontem e ontem —, a reforma ministerial foi travada pelas lideranças do PMDB no Congresso, que não aceitaram as cinco pastas oferecidas: o partido quer sete. A legenda, que abriga o vice-presidente Michel Temer, a cada dia se mostra menos propensa a sustentar Dilma. Os acontecimentos dos últimos dias deixam clara a intenção do partido em engrossar o coro dos insatisfeitos e, com isso, chegar ao poder em caso de queda da presidente. Hoje, o Planalto já trabalha com a possibilidade de defecções e fuga em massa dos aliados peemedebistas, os quais se alinham a Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, um dos maiores críticos da administração federal, e começam a acenar positivamente à oposição.
 
O programa gratuito apresentado ontem à noite pelo partido em rede nacional de televisão, no horário nobre, deixou bastante clara a posição da legenda quanto ao futuro do País. Intitulado ‘É hora de reunificar os sonhos’, programa da sigla citou a grave crise econômica que o País enfrenta e explorou fala de Michel Temer que causou atrito com Dilma. O vice, que logo em seguida abandonou a articulação política do governo, disse na semana passada que “é preciso alguém para reunificar o País”. Pela forma como a propaganda foi executada — e o discurso final de Temer deixou isso claro —, o vice-presidente acaba sendo apresentado como o “salvador da pátria”. Dilma Rousseff (ela viajou para os EUA onde participa da abertura da Assembleia Geral da ONU), que tenta negociar cargos no governo em troca de apoio contra o impeachment, fica ainda mais enfraquecida, mesmo tendo conseguido manter os vetos às pautas-bomba que haviam sido aprovadas no Congresso.
 
O que se percebe, nesta altura do campeonato (usando as analogias do ex-presidente Lula em torno do futebol para falar de política), é que inexiste um padrão de jogo no time do Planalto. O amontoado de partidos que formam o inflado Ministério de 39 pastas hoje ‘bate cabeça’ e não consegue apaziguar os próprios filiados. Só o PT continua “fechado” com a presidente, o que é pouco para fazer passar as últimas medidas de ajuste fiscal, principalmente a volta do imposto do cheque. Dilma está numa verdadeira corda-bamba, sem condições de apresentar um plano capaz de atacar a crise nos dois pontos principais: o descontrole das contas públicas e a retração do crescimento. Após o programa do PMDB, ainda terá mais trabalho em conseguir uma maioria segura que lhe permita permanecer no cargo. Para prosseguir, terá que se tornar refém do principal aliado sem causar melindres nos demais. Será uma tarefa difícil.
 
 
email opiniao@comerciodafranca.com.br
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários