Médico diz que mora no PS: ‘Atendo de segunda a sexta, 24h por dia’


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O médico Lavoisier Tavares de Andrade durante depoimento na noite dessa quinta-feira à CEI dos Falsários, na Câmara Municipal
O médico Lavoisier Tavares de Andrade durante depoimento na noite dessa quinta-feira à CEI dos Falsários, na Câmara Municipal
O médico Lavoisier Tavares de Andrade prestou depoimento na noite dessa quinta-feira à CEI (Comissão Especial de Inquérito) aberta pela Câmara Municipal para investigar a ação de uma quadrilha de falsos médicos contratados pelo ICV (Instituto Ciências da Vida). Ele é um dos profissionais que teriam prestado serviços durante 29 dias sem descanso. Para as autoridades, na prática, os plantões teriam sido maquiados. Seu depoimento durou cerca de 30 minutos. Nele, o médico afirma que, mesmo depois da saída do ICV, continua atendendo no PS com “superescalas”. “Na verdade, eu atendo de segunda a sexta-feira, 24 horas por dia todos os dias”, confessou. 
 
Questionado pelo presidente da CEI, o vereador Márcio do Flórida (PT), sobre como conseguiria trabalhar tantas horas seguidas sem descanso, ele revelou como o esquema funcionava. “À noite, normalmente, tem cinco médicos atendendo e a gente divide os horários para todos poderem descansar. Fazemos um revezamento. E durante o dia, ninguém trabalha 12 horas sem descanso. A gente tem direito a 15 minutos de pausa a cada uma hora. Esperamos juntar todos os intervalos e descansamos. Além disso, também temos que comer”, disse. 
 
Ele, que é apontado como um dos coordenadores do ICV, negou que tenha ocupado qualquer função gratificada. “Eu fui contratado como médico. Meu trabalho era atender os clientes. Não tive e não tenho qualquer função administrativa.”
 
Nessa quinta-feira, também prestou depoimento outro médico apontado como coordenador do ICV, desta vez, do Pronto-socorro Infantil. Thanios Nunes Lacerda disse aos vereadores da CEI que ninguém da Prefeitura fiscalizava os plantões e que as escalas eram organizadas pelos próprios médicos. 
 
Ele confirmou que era contratado do ICV por meio de sua empresa. “Não tinha vínculo empregatício. Eles me pagavam depositando os valores na conta da minha empresa.” Ele também admitiu que, nos plantões de 24 ou mais horas seguidas há o revezamento. “À noite, a gente descansava quando havia pouco fluxo e se revezava.”
 
Outra médica que também prestou esclarecimentos na noite de ontem foi Fernanda Sumire Arake. Ela é citada na justificativa de falta do diretor-operacional do ICV, João Gilberto da Rocha. No documento entregue à CEI, João afirma que Fernanda teria relatado a ele uma agressão verbal sofrida por um grupo de pessoas que se identificaram como vereadores durante uma invasão ao pronto-socorro. 
 
No depoimento dado ontem à CEI, a médica negou que tenha sofrido qualquer tipo de agressão. “Soube do caso pela imprensa, mas não fui agredida. Confesso que me senti um pouco constrangida por conta da abordagem dos senhores, mas em nenhum momento foram mal-educados ou hostis.”
 
Ela também afirmou que não havia qualquer fiscalização sobre os plantões médicos realizados pelos profissionais do ICV. Também não teria recebido qualquer exigência por parte da Prefeitura para que pudesse começar a trabalhar. “Não houve recepção. Ninguém da Prefeitura me pediu qualquer documento. Só apresentei depois para o ICV meu diploma e meu CRM.”
 

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