Por que só para ela é que não pode?


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É bom o leitor conhecer esta declaração: “até o final deste mês, o impeachment será votado porque o Congresso Nacional sabe da responsabilidade que hoje recai sobre os ombros da instituição e sabe que, se não votar o impeachment, ficará desacreditado com a opinião pública. (,,,)Acho que o Congresso Nacional tem clareza de que nós vivemos uma crise profunda de governo e que somente com a saída do governo é que nós iremos resolver alguns problemas da nação”. Pois é. Estas foram as palavras do então deputado federal Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em entrevista dada à televisão em agosto de 1992, quando a situação do à época presidente Fernando Collor de Mello (hoje senador pelo PTB) se tornava insustentável. E Collor foi defenestrado em um processo de impeachment, diante de uma situação que se mostrava muito menos grave do que hoje.
 
Agora, Lula defende com unhas e dentes a manutenção de Dilma Rousseff (PT), chamando de golpistas aqueles que pedem o impeachment ou a renúncia da presidente. O que ele falou em 1992 se aplica ao Brasil de hoje. Vivemos agora uma situação muito mais grave do que a do País devastado por Fernando Collor. A hiperinflação corroía os ganhos de trabalhadores e empresários, o dólar batia nas alturas e havia denúncias de corrupção. Agora, há um agravante: a operação Lava Jato mostrou que desvios em estatais vinham sendo usados para sustentar um projeto de poder desenhado pelo Partido dos Trabalhadores e aliados, exercitado com o Mensalão e aprimorado no Petrolão.
 
A atual situação supera aquela que derrubou Collor de Mello com o apoio irrestrito do PT. Assim como em 1992, é praticamente insustentável a manutenção de Dilma Rousseff na cadeira presidencial, ainda mais que ela só tem uma solução para resolver os descontroles das contas do governo central: aumento de impostos e redução de benefícios trabalhistas, além de cortes de verbas para programas sociais e setores considerados prioritários, como saúde e educação. Dilma só não caiu até agora porque conta com uma base de apoio ainda fiel no Congresso, embora as dissensões estejam se ampliando. A saída de Fernando Collor permitiu a posse do vice Itamar Franco, em cujo governo foi lançado o Plano Real — que teve ferrenha oposição dos petistas. Hoje, da forma como as coisas vão, o País corre o risco de perder todos os benefícios e avanços que a moeda proporcionou, pois Dilma continua sem condições de comandar a resposta do Brasil à crise. Dificilmente o Congresso lhe dará condições para arrochar ainda mais os ganhos dos brasileiros com mais impostos e taxas. Por isso, sua saída pode ser o primeiro passo para a “virada” que todos anseiam.
 
 
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