Demagogia barata


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Sou um crítico assumido da atuação da Câmara. Minhas opiniões a respeito sempre são colocadas e assinadas aqui neste espaço. Concordo que uma legislatura supera a outra em ruindade. Mas, não acho que o salário de R$ 6,1 mil pago para o vereador de uma cidade de 342 mil habitantes seja exagerado. O problema é a qualidade do serviço prestado. O mau funcionário não deve ser punido com redução de salário e, sim, com a demissão - o que é nossa obrigação fazer nas urnas dia 2 de outubro de 2016.
 
A atitude de Jépy Pereira (PSDB) em propor que os vereadores não ganhem mais do que dois salários mínimos é oportunista e demagógica. Além de inconstitucional.
 
Jépy é vereador há seis mandatos. Foi eleito pela primeira vez no distante ano de 1988. Durante quase três décadas, nunca se preocupou em cortar salários. Muito pelo contrário. Agora, que tem dito que não disputará a reeleição, decidiu surfar na onda da redução. Aparentemente, ele se esquece do que fez nos verões passados.
 
O mesmo Jépy move uma ação contra a Câmara há cinco anos para tentar receber a revisão geral anual dos salários, aprovada por eles mesmos em 2010, o que é proibido pela Constituição. O aumento só pode ser feito para a legislatura seguinte. Ele briga para receber “todos os atrasados devidamente corrigidos e juros de 1% ao mês”. 
 
O Ministério Público abriu inquérito para apurar a irregularidade e oito vereadores - entre eles, Jépy - que não aceitaram fazer acordo para devolver aos cofres públicos os valores recebidos indevidamente, tiveram os bens bloqueados pela Justiça em outubro daquele ano. Na época, ele disse que colocou um terreno avaliado em R$ 70 mil à disposição da Justiça e que, com esta medida, seus demais bens não serão indisponibilizados. 
 
Em maio de 2011, Jépy foi à tribuna e disse que a Mesa Diretora deveria ter a coragem de apresentar projeto para aumentar os salários. “Eu não tenho vergonha do meu salário. Cada centavo que recebo é em razão do trabalho do que faço.”
 
No último mês de abril, Jépy foi passear no Chile e faltou a duas sessões. Na volta, pediu à Câmara que a ausência não fosse descontada de seu salário “tendo em vista compromisso inadiável, assumido anteriormente, inerente à sua profissão”. Agora, prestes a se retirar de cena, o mesmo Jépy coloca os demais vereadores em saia justa ao falar em redução, mesmo sabendo que sua proposta é inconstitucional.
 
De braços abertos: O PTB espera realizar solenidade nos próximos dias para anunciar a filiação da delegada Graciela Ambrósio.
 
Me inclua fora desta: Sentindo-se abandonados pela alta cúpula do partido, onde a prioridade é salvar o mandato da companheira Dilma, vários prefeitos ensaiam uma debandada do PT. Um dos que pensam em pular fora é Airton Montanher, de Ribeirão Corrente.
 
O último apague a luz: O alto índice de rejeição do prefeito Alexandre Ferreira não é a única dor de cabeça no ninho tucano. O PSDB também está preocupado com o enfraquecimento de sua chapa de candidatos a vereadores. Muita gente boa de voto saiu e não há reposição à altura. 
 
Tá tudo errado!: Insatisfeito com a posição do PPS, que integra o bloco de apoio ao prefeito, o radialista Marcelo Valim se desfiliou do partido, terça-feira. Ainda não decidiu para onde vai.
 
Coice: Amante de animais, Alexandre Ferreira não desiste. Mesmo com tentativas frustradas de contratar um organizador, pediu autorização à Câmara para torrar R$ 340 mil na Festa do Cavalo.
 
 
Edson Arantes
jornalista - edson@comerciodafranca.com.br
 
 
 

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