Comerciantes amargam prejuízos com fim da exigência de extintor


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Paulo Roberto Junqueira e Jhonatha Melo, da loja Extingue: estoque de cerca de mil extintores está encalhado no estabelecimento
Paulo Roberto Junqueira e Jhonatha Melo, da loja Extingue: estoque de cerca de mil extintores está encalhado no estabelecimento
Com o uso do extintor de incêndio ABC não sendo mais obrigatório em carros, as lojas especializadas na cidade amargam prejuízos que chegam a mais de R$ 65 mil. O Contran (Conselho Nacional de Trânsito) anunciou, no último dia 17, que o uso de extintores de incêndio do tipo ABC em veículos, como carros e caminhonetes, tornou-se opcional.
 
Na loja Extingue, o equipamento chegou a esgotar e grandes filas se formaram, no começo deste ano. “Todos correram para comprar e agora não tem mais procura. Tenho cerca de mil peças sobrando, que dá em torno de R$ 65 mil mais impostos”, reclamou o proprietário Paulo Roberto Junqueira. 
 
Ele considera que a mudança repentina na lei foi “desonesta”, pois muitas pessoas já adquiram o extintor e as lojas abasteceram os estoques. “Quem comprou se sentiu enganado. A todo momento, inventam uma nova exigência, antes foi aquele kit de primeiros socorros”, relembra Junqueira. O kit foi exigido em 1998 e deixou de ser obrigatório pouco tempo depois.
 
Na Ricalve Extintores, o problema se repete. “Gastei cerca de R$ 5 mil com o estoque que tenho e, por sorte, consegui cancelar um contrato de R$ 20 mil”, disse o dono da empresa, Ricardo Alves de Oliveira. A validade da maioria de seus equipamentos é de cinco anos. “Agora, sem a multa, ninguém mais quer comprar, foi um verdadeiro transtorno essa mudança”, afirmou. 
 
O uso do equipamento continua sendo obrigatório para outros tipos de veículos como caminhões, tratores e ônibus.
 
Consumidores
Além dos comerciantes, quem comprou o novo modelo também ficou indignado com o fim da obrigatoriedade. “Eu e minha família compramos no início do ano e, na época, consegui pagar R$ 50. Achei injusto mudar, porque perdi esse dinheiro”, disse o auxiliar de escritório Jorge Luís Machado, 30.
 
A data limite para uso obrigatório era 1º de outubro. Agora a falta do extintor não será mais uma infração de trânsito. Antes, aqueles que não cumprissem a determinação podiam ter de pagar multa de R$ 127,69 e perder 5 pontos na carteira.
 
Quem não comprou se sentiu aliviado. “Como meu carro é de 2012, eu já tinha o modelo novo de extintor, mas muitos amigos compraram e ficaram revoltados”, disse o técnico de manutenção de eletrônica Eduardo Ferreira da Cruz, 48. 
 
A lei envolvia carros fabricados há dez anos ou mais, já que desde 2005 os veículos produzidos no Brasil já vêm com o tipo ABC.

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