Bebê morre e pais acusam Santa Casa


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O cortador Antônio Carlos Vieira mostra o quarto preparado para a primeira filha do casal; sepultamento será na manhã de hoje
O cortador Antônio Carlos Vieira mostra o quarto preparado para a primeira filha do casal; sepultamento será na manhã de hoje
Um dia que deveria ser marcado pela felicidade, acabou se transformando em um verdadeiro pesadelo para o cortador Antônio Carlos Vieira, 30. “Há poucos dias estávamos escolhendo a roupinha que a Gabrielly deixaria a maternidade, hoje estou aqui escolhendo a roupa com a qual ela será enterrada”, disse.
 
Casados há três anos e meio, o cortador e a mulher, Marcela Roberta Vieira, 23, esperavam o nascimento da primeira filha para a próxima sexta-feira, dia em que ela completaria 39 semanas de gestação. Há 15 dias, porém, a artesã começou a sentir muitas dores e procurou atendimento na Santa Casa por cinco vezes, segundo o pai. Em todas elas, os profissionais teriam informado que tudo estava normal e a encaminharam de volta para casa.
 
Com muitas dores e dificuldades para dormir, a mãe voltou ao hospital no último sábado. Na ocasião, anda segundo o pai, mesmo constatando que os batimentos cardíacos estariam mais lentos e o bebê se movimentava pouco, a jovem foi novamente liberada.
 
“A minha esposa sentia muitas dores e há dias não dormia direito. Ela parou de sentir a criança e, mesmo assim, o médico que nos atendeu disse que estava tudo bem e que eram normais as dores e que a minha filha estava muito bem”, contou, emocionado.
 
Ontem, Marcela voltou à Santa Casa, desta vez com sangramento. Após um exame, foi constatada a morte da criança. “Depois de tantos dias e tanto sofrimento, o médico perguntou se optaríamos por uma cesárea ou queríamos que o parto fosse induzido. Como não ofereceram a cesariana antes? Não me conformo com a forma que os atendimentos foram realizados”, disse o marido.
 
Após a confirmação do óbito, foi realizada na manhã de ontem uma cesárea para a retirada da criança. O velório de Gabrielly acontece no velório do Leporace e o sepultamento está marcado para as 10 horas de hoje, no cemitério Santo Agostinho.
 
“A dor que estamos sentindo não desejo para ninguém. É muito triste e só queremos que esse não seja apenas mais um caso a ser esquecido”, disse o pai.
 
Tristeza
Esperando a primeira filha, o casal havia preparado tudo para a chegada de Gabrielly. Com as paredes pintadas de rosa, um berço, uma cômoda e um guarda-roupa repleto de macacões, sapatinhos e fraldas, o pai relata que tudo havia sido planejado durante meses para a princesa que chegaria para alegrar toda a família. “Ela foi um bebê muito esperado por todos nós. Fico imaginando como seria a sua chegada e, agora, o que nos resta é apenas a dor dessa perda tão prematura”, disse.
 
Outro lado
A Santa Casa de Franca comunicou, via assessoria de imprensa, que Marcela teria sido atendida três vezes nos últimos 15 dias. De acordo com o hospital, em todos os atendimentos, exames constataram a “boa vitalidade” do bebê e da gestante, e que não havia necessidade de cesariana. Ainda segundo a nota, foi acionado o serviço de verificação de óbito, que analisará o caso.
 
Investigação
Segundo o delegado Luís Carlos da Silva, responsável pelo 1º Distrito Policial, foi registrado boletim de ocorrência sobre a morte da criança. Ontem, foi realizado o exame necroscópico de Gabrielly e agora deve ser instaurado inquérito para investigar se houve erro médico e negligência no atendimento da gestante.

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