‘Projeção’


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Todos nós já presenciamos pessoas atribuírem a nós, de forma indevida, sentimentos seus como sendo nossos. 
 
Quem assim age utiliza-se de mecanismo chamado de ‘projeção’. Para a Psicanálise é mecanismo de defesa: a pessoa atribuiu ao outro o seu próprio desejo ou sentimento para livrar-se deles. Inconscientemente, quer evitar desprazer. 
 
Conhecer, permite analisar o outro e a nós mesmos, permitindo-nos ser mais livres, verdadeiros, mais assertivos, objetivos e realistas.
 
O termo ‘projeção’ não é jurídico, mas o mecanismo pode ser utilizado para ajudar a compreender o que se ‘fala’ no processo, as alegações dos sujeitos do processo. 
 
Explico: e dado processo, uma parte atribuía a outra, conduta desonrosa e entendia, porisso mesmo, que o direito era seu. 
 
Com o passar do tempo e tramitar do processo, ficou provado que a conduta desonrosa, na verdade, era a conduta da própria parte. Houve dispêndio de tempo, de trabalho, de lágrimas e desgaste físico e mental. Justiça foi feita graças também ao auxílio desse outro conhecimento científico, que, atrelado ao Direito, foi subsídio importante para alcançar a esperada justiça. 
 
Fato é que o mundo está cada vez mais complexo. Porisso, exercício profissional exige, de nós, upgrades constantes.
 
Nos momentos de crise não há espaços para medianos, para quem detém conhecimento superficial e único. A vida exige multiplicidade de conhecimentos, uma rede que permita visão holística. O futuro será dos preparados, e isso também é projeção, mas diversa da Psicanálise. Quanto mais se sabe, mas se tem a certeza de que pouco se sabe, mas permite olhar ao futuro, projetando onde é que vamos estar daqui há alguns meses, ou anos. 
 
A projeção pode ser boa ou ruim, mas sempre dependerá de nosso esforço pessoal. Não projetemos o nosso fracasso nos outros. Tomemos posse da nossas vidas e de nossas escolhas. Ajamos com responsabilidade.
 
 
Acir de Matos Gomes
Advogada, professor universitário

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