A população de Franca continua acompanhando, estarrecida, os desdobramentos da investigação que colocou o gerenciamento da saúde pública do município nas páginas policiais. A cada nova informação, a cidade se assusta e intensifica as críticas ao prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), que conseguiu deixar ainda mais caótico o atendimento médico na cidade. A maioria de nossa população, que depende do sistema público de saúde, mostra-se temerosa em se submeter a uma rede onde se avolumam as denúncias, de negligência médica a falsos profissionais e pagamentos indevidos. E não faltam outras acusações, como a inexistência de acompanhamento, por parte da Secretaria de Saúde, dos plantões efetivamente realizados e da situação dos médicos contratados pelo ICV (Instituto Ciências da Vida), o que a repórter Priscilla Salles, do Comércio, conseguiu através de telefonemas e pesquisas pela Internet.
A cada depoimento à CEI (Comissão Especial de Inquérito), aberta na Câmara de Vereadores para investigar a questão, novas informações provam o verdadeiro descaso — ou seria incompetência? — daqueles que deveriam cuidar da saúde pública no município. Franca não pode mais ficar à mercê dos irresponsáveis que comandam o setor, vendo o dinheiro de seus impostos escorrendo pelo ralo, por causa dos altos salários que estão sendo pagos por plantões não realizados, como o Comércio mostrou em sua edição do último domingo. Há nas escalas de plantões do mês de setembro profissionais que foram contemplados para trabalhar mais de 40 plantões ao longo do mês, o que deve garantir um salário superior a R$ 70 mil, sem que necessariamente eles tenham de fato cumprido essa jornada.
A questão envolve, além da reponsabilidade que se exige de todo o gestor eleito pelo voto, malversação do dinheiro público. A saúde em Franca está manchada por uma série de acusações, suspeitas e ilegalidades: primeiro foi a “indústria das horas extras” dos médicos concursados. Depois os falsários do ICV. E agora são os médicos contratados por meio do chamamento público que recebem muito além do que trabalham. No meio disso, as mortes suspeitas relacionadas ao atendimento médico (pelo menos dez, que não foram explicadas ou lamentadas pela Prefeitura), a falta de profissionais, as perseguições a quem denuncia as irregularidades e as condições lamentáveis do PS Infantil que demandaram uma reforma que deixou o local fechado por meses. É uma questão de polícia que, certamente, à falta de providências do prefeito municipal, a Justiça saberá de quem cobrar de forma exemplar.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.