Superando as expectativas, Jheck Brenner de Oliveira completou ontem seus 15 anos de idade. O garoto, que sensibilizou o Brasil e levantou discussões sobre a eutanásia no país e fora dele, em 2005, passou seu aniversário no Hospital São Joaquim/Unimed, local onde voltou a ser internado no dia 8 deste mês.
“Meu filho é um guerreiro por tudo o que ele passou. E está aí: forte e lutando para viver. É um espelho para a gente. Na dificuldade dele, apesar de tudo o que a doença fez a ele, ainda preserva um semblante de paz”, disse a mãe, Rosemara Souza.
De acordo com a mãe, o estado de saúde de Jheck é bom - considerando seu quadro clínico em que consta uma doença degenerativa rara que causa paralisia corporal - e ele passa bem.
Embora o estado de saúde de Jheck esteja estabilizado, Rosemara afirma não ter condições de cuidar do garoto, atualmente, como vinha fazendo há dez anos. Sozinha, se dedicou a medicar, alimentar e higienizar o filho já crescido, estando à sua disposição 24 horas por dia.
“Mas, no momento, sou eu quem não está bem, passando por problemas de saúde”, disse ao explicar o motivo da volta de Jheck ao hospital. “Mesmo doente, visito meu filho, dia sim, dia não, no São Joaquim e tenho esperanças de que um dia, com a ajuda de enfermagem, eu possa trazer o Jheck de volta para casa.”
A breve entrevista cedida ao jornal ocorreu por volta das 11h30 de ontem, quando a reportagem encontrou Rosemara apressada, se organizando para deixar sua casa e seguir até o hospital a fim de passar com o filho a data especial. Com um semblante cansado e a fala arrastada, ela encontrou tempo ainda para contar sobre seus planos para o dia. “Estou pensando em um presente. Brinquedo, não dá, mas talvez uma roupinha...”, revelou antes de se despedir.
O caso
Em agosto de 2005, o então recepcionista Jeson de Oliveira entrou em contato com o Comércio para contar sobre sua intenção de buscar na Justiça apoio para a eutanásia de seu filho Jheck Brenner de Oliveira, que na época tinha 4 anos.
Jheck sofria com uma doença degenerativa rara que paralisava os movimentos de seu corpo e encontrava-se internado na UTI do Hospital São Joaquim/Unimed, onde era mantido vivo com a ajuda de aparelhos.
Segundo o pai, prolongar a vida do filho naquelas condições causava sofrimento à criança e, por isso, seria melhor desligar as máquinas que garantiam a sobrevivência de Jheck.
Já a mãe do garoto, Rosemara Souza, travou uma luta contra o pai para que ele pudesse continuar vivo, ainda que por meio das máquinas.
O drama familiar, que terminou com o pai atendendo aos apelos da mãe, foi retratado nas páginas do jornal e ganhou repercussão em programas de alcance nacional e até mesmo internacional. Jornalistas da Itália e da Rússia, inclusive, entraram em contato com o Comércio pedindo informações, fotos e telefones dos envolvidos no caso.
Diante da comoção causada, Rosemara ganhou uma casa no programa Domingo Legal, do SBT, além do apoio da Unimed e do Governo do Estado para manter Jheck numa mini-UTI que fora estruturada no imóvel.
O garoto, então, voltou para casa no dia 16 de fevereiro de 2006, após nove meses de internação. O caso foi acompanhado pelos médicos Luiz Peixe e Rita Berteli Fontes.
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