O mistério acerca do assassinato do pedreiro Salatiel Inácio dos Santos, 41, na véspera de Natal de 2014, no Jardim Aeroporto, teve um fim ontem. Isso porque o delegado Márcio Murari, da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), encerrou o inquérito e despachou o caso para o fórum com o pedido de prisão preventiva do acusado. Agora, cabe à Justiça dizer se o suspeito, Jhony Rodrigues, de 30 anos, ficará encarcerado até o julgamento.
Embora Jhony, que está preso desde o início de agosto pelo crime após decretação de sua temporária (renovada posteriromente), negue que tenha matado Salatiel, para os policiais da DIG não há dúvidas de que ele é o autor dos disparos na cabeça, braços e nádegas da vítima. De acordo com o inquérito, o crime teria ocorrido devido ao fato de Salatiel ter, dias antes de sua morte, matado o comerciante Geraldo Edmilson Jesus, 49. Isso chamou a atenção da polícia para o bairro. A execução também teria ligação com o tráfico.
Para chegar ao acusado, os policiais contaram com o relato de um adolescente de 15 anos. De acordo com Murari, ele viu a execução. “Enquanto a investigação corria, esse menor, no dia 9 de julho deste ano, levou vários tiros. Jhony tentou matá-lo. Foi como uma ‘queima de arquivo’ por ele saber quem matou Salatiel. Só não havia feito isso antes porque o irmão do menor, que é traficante, estava em liberdade e oferecia certa proteção. Assim que o irmão foi preso por nós, o Jhony procurou seu alvo”, disse o delegado. Ele ainda revelou que, para evitar novos ataques, a família se mudou de Franca.
Os crimes
Um cenário típico de execução foi o que moradores do Jardim Aeroporto encontraram no dia 24 de dezembro de 2014. Por volta das 23h20, vizinhos ouviram tiros e saíram de casa para ver o que era. Encontraram Salatiel caído no meio da rua Carlos Maranha. A vítima, alvejada com uma arma calibre 40 de uso restrito da polícia, possuía antecedentes criminais e estava morando em Ribeirão Preto. Aos investigadores, testemunhas disseram que ele foi executado porque estava envolvido na morte do comerciante Geraldo Edmilson Jesus, 49, sete dias antes, em seu bar, na avenida Gabriela de Almeida Pirajá.
Segundo Murari, Salatiel foi o autor do homicídio do comerciante. Ele o culpava por ter sido preso anteriormente. Havia, ainda, uma divergência entre ambos, que se acirrou após Salatiel começar a vender drogas perto do bar da vítima.
Investigações
Dos 36 homicídios ocorridos em Franca nos últimos 20 meses, a DIG, após esclarecer a morte de Salatiel, chegou ao 25º caso elucidado. De acordo com o delegado, o apoio da Polícia Militar tem sido importante. “As diligências e prisões em flagrante da PM ocorridas em pelo menos quatro assassinatos também ajudaram. O caso mais recente foi o da bancária Rosane Berteli, em que a PM identificou o acusado como sendo o ex-namorado da vítima, Breno Helton da Costa Rezende. Ainda que a violência esteja aumentando, especialmente neste mês de setembro, a média de resolução é positiva e fruto de um trabalho conjunto”, ressaltou Murari.
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