Drogas, dinheiro, relacionamentos amorosos. Essas foram algumas das razões de crimes enquadrados pela polícia de Franca nos últimos 20 meses e que resultaram na morte de 36 pessoas .
Dos casos, o setor de homicídios da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) da cidade conseguiu solucionar 24. Outros 12 homicídios estão à espera de uma resolução.
Para Márcio Garcia Murari, delegado titular da DIG, o preparo dos investigadores Paulo Rodrigues e Luciano Tavares, do setor de homicídios, contribui para o índice ser superior ao de diversas cidades que têm o mesmo número de habitantes que Franca. “Desde 2008, há essa
dupla na investigação para esclarecer crimes inclusive da região. Além de serem policiais experientes, que passaram pela Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes), eles se especializaram nesse tipo de caso”, disse Murari que, por conta do aumento nos homicídios no mês de setembro, reforçou a equipe. Temporariamente, até que mais casos sejam elucidados, ele vai contar com mais três policiais atuando nesse setor.
Casos elucidados
Os números positivos correspondem a um percentual de quase 70% dos assassinatos esclarecidos de janeiro do ano passado até setembro de 2015. Nesses 36 homicídios registrados, estão contabilizados os quatro latrocínios (roubo seguido de morte) ocorridos no período: dois em 2014 e dois neste ano, incluindo o mais recente, que envolveu o frentista Márcio Rangel, morto no Posto Dallas, do Jardim Aeroporto.
Sobre o aumento na violência, que tanto tem assustado francanos, o delegado atribui a uma desintegração social e à sensação de impunidade que muitos suspeitos nutrem. “É um problema estrutural em nossa sociedade, mas acho que estamos conseguindo lidar e elucidar os casos cada vez mais rapidamente. O que vai acabar despertando nas pessoas a percepção de que nada fica.” Para o delegado, o volume de ocorrências é uma triste coincidência e os casos não têm relação entre si.
Confira no quadro abaixo os casos que já tiveram um desfecho.
HOMICÍDIOS SOLUCIONADOS
Dos 36 homicídios cometidos em Franca nos últimos 20 meses, a DIG elucidou 24
Pamela Suelem Tardivo, 28 anos
• 28 de fevereiro de 2014. A funcionária da Desejo & Sabor Pamela Suelem Tardivo, 25, foi encontrada morta dentro da casa em que morava, no Jardim Planalto. Ela foi estrangulada com um pano e um fio de energia pelo amigo e vizinho Tiago Wesley Nazareth, 23, que confessou o crime quase dois meses depois. À polícia, o jovem afirmou que estava drogado no momento que matou Pamela e que não se lembrava do motivo para cometer o assassinato.
Ana Cecília Macedo, 69
• 7 de março de 2014. A aposentada, levou uma facada no pescoço e sangrou até morrer. A assassina confessa, Paloma Martins Bastos, 43, afirmou que foi estuprada pelo amante e vizinho da vítima e resolveu se vingar porque ele, sua mãe e Ana faziam parte de um “grupo de crentes”que a teve como alvo por estar com o “demônio no corpo”. Como não encontrou o amante e a mãe, matou somente Ana e foi presa quase uma semana depois.
Roosevelt Mendonça Ribeiro, 67
• 16 de março de 2014. O bancário aposentado foi a primeira vítima de latrocínio (roubo seguido de morte) de Franca no período. Ele foi encontrado morto em sua casa, no Centro, dois dias depois do crime. Os assassinos confessos foram Igor Ribeiro, 20, e um casal de namorados, ela de16 e ele de 17. Roosevelt foi morto com cinco facadas no pescoço. Os assassinos levaram um Fiat Strada Adventure e vários objetos. A responsável pela detenção foi a Polícia Militar.
Pedro Jesus da Silva, 52
• 26 de maio de 2014. O casal assistido pelo Centro Pop, Durval Francisco, 28, e Priscila Dias, 25, foi o responsável pelo latrocínio do motofretista Pedro Jesus da Silva, 52. Ele foi assassinado na edícula em que morava, no bairro São José, com duas facadas nas costas e quatro no tórax, antes de ter dinheiro, sua moto e objetos roubados. Os suspeitos tiveram a prisão decretada e, quando foram ouvidos pela polícia, confessaram o crime.
Eduardo Sílvio Raiz, 26
• 4 de julho de 2014. Após uma briga generalizada em uma mercearia do Residencial Santa Maria, o cortador Eduardo Sílvio Raiz, 26, foi morto com uma facada no tórax. Ele teria se envolvido em na briga e o filho do dono do estabelecimento, ao ver que o pai tinha sido ferido com uma pedrada, atacou Raiz. No dia 8, Douglas Teixeira Batista, 28, se entregou afirmando que agiu em legítima defesa e responde ao inquérito em liberdade.
Roberto Antônio Rosa, 43
• 7 de julho de 2014. O pedreiro Roberto Antônio Rosa, 43, foi morto por estrangulamento com um cinto e teve o corpo carbonizado em uma chácara desabitada na Vila São Sebastião. Após investigações, policiais da DIG chegaram ao assassino Adriano Carlos Fernandes, 32. Segundo Márcio Murari, o crime aconteceu por causa de drogas.
Marcos Antônio Facioli, 37
• 16 de julho de 2014. Espancado até a morte, o sapateiro Marcos foi encontrado às margens de um córrego na Vila São Sebastião. Ele foi agredido junto de seu cunhado e ambos foram jogados num buraco de 15 metros de profundidade. O cunhado sobreviveu. Um menor de 17 anos, que assumiu ser chefe de uma “boca de fumo”, confessou o assassinato e a tentativa de homicídio. Facioli teria furtado cocaína de um de seus pontos de venda. A DIG esclareceu o crime com o apoio da PM.
Diego Lucas Faleiros, 27
• 23 de julho de 2014. O feirante Diego Lucas Faleiros, 27 estava fumando maconha com um amigo em frente à casa do segurança Luciano Soares da Silva, 34, no Jardim Boa Esperança. Eles discutiram e Faleiros acabou morto com uma única facada no tórax. Logo após o crime, o segurança fugiu de Franca em seu Corsa com a família e foi encontrado horas depois em Patrocínio Paulista. Ele acabou detido.
Marcos Antônio Molina, 51
• 29 de julho de 2014. Minutos após ter saído de uma loja de tintas, no Luiza, o serralheiro Marcos Antônio Molina, 51, foi alvejado no interior de seu caminhão. Três projéteis foram encontrados na cena do crime e o principal suspeito se entregou à polícia no dia 1º de agosto. Trata-se do comerciante Cláudio Leite da Silva, 38. Ele confessou ter atirado em Molina após o serralheiro estar assediando sua mulher e, por não ter sido um flagrante, respondeu ao inquérito em liberdade e foi absolvido.
José Rodrigues, 53
• 8 de agosto de 2014. Morador do Paraty, o pintor José Rodrigues foi estrangulado e enterrado em uma cova no quintal da casa onde ele e o açougueiro Jessé Marques de Araújo, 28, residiam. A DIG apurou que Araújo, apelidado de “Alemão”, atrasou o aluguel da casa por três meses. Uma discussão por causa da dívida teria culminado na morte de Rodrigues. Alemão, que já tem diversas passagens pela polícia, inclusive por latrocínio, responde a acusação em liberdade.
Josuel Rodrigues Morroni de Paiva, 28
• 21 de agosto de 2014. Ao tentar assaltar o Motel Oasis, no Marambaia, o ex-presidiário Josuel foi morto depois de levar golpes na cabeça, desferidos pelo gerente do motel, Marcelo Souza Martins, que usou um cano de PVC cheio de concreto. Paiva, acompanhado de um comparsa, invadiu o local e, armado, anunciou o assalto. Ao reagir, o gerente foi atingido por um tiro na perna esquerda. Mesmo ferido, ele aplicou golpes com o cano no ladrão, que não resistiu e morreu no local.
José Eudeládio de Souza, 31
• 14 de setembro de 2014 .O pedreiro José foi morto a facadas pelo microempresário Valdir Belato Freiria, 40, no Aeroporto II. O assassino confesso se apresentou à polícia quatro dias depois e disse ter “perdido o controle” e esfaqueado o pedreiro. Freiria disse que havia morado quatro anos com a viúva de Souza e que tinha um filho com ela. Depois de um ano da separação, a mulher estaria se relacionado com o pedreiro, que não aceitava que Freiria fosse até sua casa buscar o garoto.
Douglas Francisco Rodrigues, 31
• 23 de outubro de 2014. Uma facada na altura do tórax matou o morador de rua Douglas Francisco Rodrigues, 31. O crime aconteceu em uma praça, no Parque Três Colinas. Na época, o delegado Márcio Murari apurou que a maioria dos que estavam na praça eram frequentadores do Centro Pop. Uma discussão por causa de pinga aconteceu com outros moradores de rua, Éder Nascimento Silva e José Nilton Ramos da Silva, o que culminou na morte de Rodrigues.
Paulo Silvério de Miranda
• 28 de outubro de 2014. O morador de rua Paulo Silvério de Miranda foi assassinado com requintes de crueldade no Centenário. O carvoeiro Diego Wender Costa, 28, o matou com tijoladas na cabeça e depois ateou fogo no corpo já sem vida. À polícia, o suspeito disse que sua filha de cinco anos o procurou para dizer que o morador de rua teria passado a mão em seu corpo. Porém, sua versão não convenceu e o apurado foi que , à noite, enquanto usavam crack juntos, Costa se desentendeu com Miranda e cometeu o crime.
Luiz Carlos de Andrade, 61
• 11 de dezembro de 2014. No Aeroporto III, o pedreiro Luiz Carlos de Andrade, 61, foi assassinado com oito facadas pelo próprio filho, Robson dos Santos Andrade, 28. Ele foi preso em flagrante pela Polícia Militar após cometer o crime e disse que matou por ter sido agredido. Na época, familiares relataram aos investigadores da DIG que Robson era viciado em drogas e tinha um relacionamento conturbado com o pai. No início de agosto deste ano, o assassino foi condenado a oito meses de prisão.
Geraldo Edmilson Jesus, 49
• 17 de dezembro de 2014. O dono de um bar do Jardim Aeroporto II, Geraldo Edmilson Jesus, 49, foi assassinado com três tiros na cabeça por um homem que, sete dias depois, também foi morto. Tratava-se de Salatiel Inácio dos Santos. Policiais da DIG apuraram que a morte de Jesus teria acontecido pelo fato de Salatiel ter passado a vender drogas nas proximidades do bar do comerciante, o que teria piorado o relacionamento conturbado entre os dois.
Marcela Maria de Oliveira, 39
• 26 de janeiro de 2015. Sentindo-se traída ao ver a ex-namorada com outra, a vigilante Elaine Cristina da Silva, 39, decidiu assassiná-la. A soldado Marcela Maria de Oliveira, 31, foi morta com dois tiros no peito em uma rua do Jardim Paineiras. De acordo com o relato da própria assassina, o fato da vítima ter iniciado uma nova relação após terem rompido em dezembro, foi o motivo do crime. Ela alegou ter perdido a cabeça e responderá em liberdade pelo homicídio.
Maria Cristina de Morais Brito
• 2 de fevereiro de 2015. Diversos boletins de ocorrência registrados na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) ao longo dos anos foram os indícios de que, um dia, uma tragédia aconteceria. No dia 2 de fevereiro deste ano, a dona de casa Maria Cristina de Morais Brito, moradora do Jardim Portinari, foi assassinada com dois tiros pelo ex-marido, Fábio José Natal. Após o crime, o homem fugiu para a Vila Nicácio e atentou contra a própria vida com a mesma arma.
Willian Fernandes Ferreira, 21
• 4 de fevereiro de 2015. Dois dias após o assassinato de Maria Cristina Brito, Willian foi executado com um tiro no queixo e outro na testa. A vítima teria sido morta por supostamente ter estuprado uma garota de 14 anos. Dias antes, Ferreira havia sido espancado por conta da acusação, o que levou a DIG a investigar pelo menos seis pessoas que, direta e indiretamente, participaram do crime. Alguns já foram indiciados e Murari aguarda que os outros sejam autuados para divulgar seus nomes.
Yan Joaquim dos Santos Silva, 1
• 2 de abril de 2015. Usuário de drogas, Émerson Carlos da Silva, 28, matou seu filho de um ano e cinco meses, Yan Joaquim dos Santos Silva, estrangulado com um pedaço de fio elétrico. Em seguida, se matou, também enforcado. O caso foi registrado como homicídio qualificado e suicídio consumado. A mãe de Yan, Ângela Aparecida da Silva Santos, teria rompido a união com Silva em dezembro, fato que pode ter contribuído para o bárbaro crime.
Jurandir Antônio da Silva, 54
• 22 de abril de 2015. Um cafezal às margens da rodovia Nelson Nogueira, que liga Franca a Ribeirão Corrente, foi o cenário da morte do sapateiro Jurandir. Ele foi espancado até a morte e encontrado amarrado, a mando da própria mulher, que está presa. Ela acusa o sapateiro de ter abusado da enteada, de 10 anos. Como forma de vingança, chamou conhecidos de uma facção criminosa de seu bairro, a Vila Gosuen para matá-lo. Dos cinco acusados, um continua foragido da polícia.
Márcio Rangel, 42
• 13 de julho de 2015. Dois dias após roubar R$ 74 e matar o frentista Márcio, no posto Dallas do Aeroporto, seu assassino foi preso. Trata-se de Hyago de Paula Rodrigues, 22. Ele foi detido enquanto soltava pipa no São Luiz e confessou o crime. Também confirmou a participação de outros dois: o filho de um PM, Lucas Henrique Cristiano, 20, e o ex-funcionário do Dallas, Reginaldo de Camargos, 34. Um quarto envolvido, Thiago de Oliveira Silva, também está detido e foi quem entregou Rodrigues e Camargos.
Rosane Berteli de Souza, 24
• 8 de setembro de 2015. Um tiro na cabeça. Foi desta forma que o comerciante Breno Helton da Costa Rezende, 32, assassinou a ex-namorada, Rosane Berteli de Souza, 24. Ela foi morta no estacionamento onde guardava seu carro, no Centro. Rezende não aceitava o fim do namoro de quase um ano. Após atirar em Rosane, o acusado tentou se matar com um tiro na boca. Como não conseguiu, segue internado no Hospital Regional sob escolta policial.
João Caetano dos Santos, 42
• 15 de setembro de 2015. O desempregado João Caetano dos Santos, 42, foi encontrado morto em uma rua da Vila São Sebastião. Seu assassino confesso, José Aparecido de Oliveira, 57, afirmou que desferiu três golpes com uma faca na vítima após beberem juntos em um bar e brigarem. Oliveira foi levado para a DIG dois dias após o crime e contou a forma como matou João. O acusado, que foi condenado em 2013 por outro homicídio, responderá em liberdade pelo assassinato.
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