Emprego na indústria segue ladeira abaixo


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A situação está difícil para quem produz. Enquanto a indústria brasileira passa por uma de suas crises mais sérias, o desemprego explode e está mudando até as relações trabalhistas. Hoje, o trabalhador aceita até a redução de salários e jornada para manter o posto. E, o mais interessante, é que diversos sindicatos, historicamente refratários a este tipo de atitude, estão chancelando iniciativas em que os postos de trabalho sejam mantidos, inclusive o “lay off” (suspensão temporária do contrato de trabalho) com a garantia de recontratação do profissional, além das férias coletivas. Na última semana, uma grande montadora de automóveis seguiu o caminho de outras empresas do gênero e fechou um acordo com o sindicato da categoria para a redução da jornada e dos salários, evitando-se assim a demissão, diante de uma demanda retraída.
 
De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o emprego na indústria recuou 0,7% na passagem de junho para julho, configurando-se na sétima queda mensal consecutiva do índice. Com o resultado, o emprego industrial acumula recuos de 5,4% no ano e de 4,9% em doze meses. Já na comparação com julho de 2014, o emprego industrial apontou queda de 6,4% em julho deste ano. Trata-se do 46º resultado negativo consecutivo nesse tipo de comparação e o mais intenso desde julho de 2009, quando o recuo foi de 6,7%. Segundo o órgão, na comparação anual foram registradas reduções no contingente de trabalhadores em dezessete dos dezoito ramos pesquisados. No setor de calçados e couro, ainda uma das maiores forças econômicas de Franca, a queda foi de 7,5% no emprego de junho para julho.
 
A questão ainda pode piorar, diante das medidas de ajuste fiscal que o governo federal pretende ver aprovadas no Congresso Nacional. A retração no consumo vem atingindo todos os setores e impacta de forma negativa no emprego na construção civil e no setor de serviços. Num cenário de inflação crescente, câmbio descontrolado, desemprego alto, juros elevados e retração do crédito, dificilmente o País conseguirá reverter antes de 2017 o quadro recessivo verificado atualmente. Especialistas acreditam que as medidas de ajuste podem até recuperar as contas do governo, mas não terão efeito mais prático sobre a cadeia produtiva, que permanece estagnada e vem perdendo benefícios que foram concedidos nos últimos anos. A situação é difícil para quem trabalha e produz e deve continuar pelo menos nos próximos doze meses, ainda mais se o Congresso Nacional aprovar a reinstituição do imposto do cheque.
 
 
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