Dia destes, em programa de televisão, entre outras respostas sobre comportamento humano, uma entrevistada se dizia indignada com a maneira violenta como jovens e adultos vêm participando de manifestações públicas. Suspirou: ‘Afinal, humanos é o que somos!’. Compartilhamos sua indignação, mas, convém considerar a gradação evolutiva em que estagiamos, numa sociedade humana que, longe de ser homogênea, guarda em si nítida disparidade nos níveis de conhecimento e moralidade.
Uns, elevados, repudiam a iniquidade e buscam corrigir os iníquos. Outros, de consciência aviltada pela ignorância, pensam que o direito da força tem de prevalecer sobre a força do direito. A evolução se faz numa sobreposição interminável de estágios intelectuais e morais. É assim que rumamos para a depuração do espírito.
Violência é distúrbio emocional, manifestação das paixões que remanescem do primitivismo e atingem os ambientes desprovidos de mais elevados valores da vida. Contudo, trata-se de minoria que seria facilmente abafada se a massa que se diz ordeira ostentasse nobreza de sentimentos. Se são espíritos, conquanto ocupantes de um corpo físico, todos nós o somos, daí a necessidade de que nos posicionemos em conceituações mais luminosas, sem o que estaremos — se não na ação, mas na mente — em perigosa sintonia psíquica com os violentos e sujeitos à sua ação.
Gente como os demais, são, todavia, carecentes da luz do entendimento, da educação, que não recebem senão insuficiente e de forma distorcida. Além, das razões expostas, admitamos ainda: Deus permite que tais espíritos se misturem com a sociedade ordeira para, com sua insânia, contribuir para escarmentar os que se dizem bons e, sobretudo, para receberem ensinamentos dos que lhes estão à frente no processo moralizador.
Com efeito, não nos convém olvidar o alerta do meigo Rabi da Galileia: ‘É necessário que haja o escândalo, mas, ai daquele por quem o escândalo vem.’
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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