Uma triste decisão difícil de assimilar


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A decisão levantou críticas, revolta e muito falatório: surpreendentemente, os sete integrantes de um júri popular (cinco homens e duas mulheres) decidiram deixar à solta um assassino confesso, que matou a tiros um homem que teria assediado a esposa do primeiro. O crime aconteceu no dia 29 de julho do ano passado, no Jardim Luiza. O serralheiro Marcos Antônio Molina, 51, foi baleado no interior de um caminhão logo após sair de uma loja de tintas. Testemunhas disseram ter ouvido quatro disparos. Três dias depois, o comerciante do ramo de lanches Cláudio Leite da Silva, 38, se apresentou à polícia e confessou que matou Marcos. Alegou que a vítima estaria assediando sua mulher. Foi indiciado por homicídio duplamente qualificado. Em razão da falta de flagrante, respondeu ao processo em liberdade.
 
Não se pode imaginar que, nos dias de hoje, um crime como o narrado acima, deixe o seu autor impune, reeditando a nojenta tese da “legítima defesa da honra”, a qual deixou vários assassinos soltos no século passado. No final das contas, é considerar a vítima culpada pela própria morte. Marcos Antônio foi executado sem chances de defesa num crime premeditado. Nem a sua defesa considerava a hipótese de absolvição, pedindo uma pena mais branda. A decisão final, surpreendente, revolta quem defende a justiça e vê no crescimento da violência um dos grandes males da sociedade atualmente. Quem não aceita a leniência de nossa Justiça não pode ficar alheio a esta sentença, que premia alguém que matou, admitiu a autoria e não ficou pelo menos um dia encarcerado. Não há justificativas para um crime como o que Cláudio cometeu. Aliás, nenhum ato de violência tem como ser justificado.
 
Hoje, o assassino está solto e, por causa de sua conduta anterior, continua por aí, ameaçando as vidas dos que vivem ao seu redor. Como ocorreu no caso que o levou a julgamento, ele pode sacar de uma arma e balear qualquer um, utilizando a mesma justificativa. A decisão do júri, extremamente machista e retrógrada, é um recado para outros, de que podem tirar a vida do semelhante e não sofrer as consequências deste ato. À família da vítima, fica a tristeza, a dor e a certeza de que a Justiça brasileira hoje não contempla os interesses da maioria dos cidadãos. É uma situação revoltante e, ao mesmo tempo, constrangedora para todos os cidadãos de bem em pleno século XXI. Esperamos que os julgadores não se arrependam desta decisão caso uma nova tragédia aconteça se o comerciante voltar a agir da mesma forma.
 
 
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