A expressão ‘massa de manobra’ define, em Ciência Política, os manipuláveis, guiados, sujeitados a realizar o que agentes políticos lhes impõem como necessário à manutenção de um projeto de poder. Petistas dizem que a expressão está atrelada à imagem do partido por culpa de formadores de opinião invejosos que nunca entenderam que é preciso cuidar dos necessitados através da distribuição democrática da renda do país.
No poder, o PT criou ‘bolsas’ para repartir a riqueza. Eu tinha uma dúvida sobre isso, — é redistribuição de renda ou é dinheiro emprestado? —, mas não tenho mais. A resposta veio de Dilma, em campanha à presidência.
Disse, com todas as letras, que os beneficiados deveriam lutar pela continuidade dos programas sociais do PT, e que se o partido não continuasse, ‘certamente as bolsas teriam fim’. O ‘Brasil’, então, se tripartiu: 1/3 respondeu ‘sim’ a Dilma e 1/3 disse ‘não’ a ela. O outro terço, por protesto ou por descrença, jogou o voto fora branqueando, anulando, ou não comparecendo para votar. Ao conferir os números e as regiões do país onde se concentraram os votos em Dilma e a maioria das ‘bolsas’ concedidas, ficou quase transparente: o dinheiro é emprestado.
Dilma, reeleita, reafirmou que não mexeria nos benefícios sociais ‘nem que a vaca tossisse’. Fosse eu quem ela é, diria o mesmo... e faria. Ela não fez. “Tropicou’, como diria o matuto: mandou a vaca pro brejo para não ve-la tossir; afirmou categoricamente o fim das metas — ‘não temos meta. Quando a atingirmos, a dobraremos’ — e, espetacularmente, enfiou ‘democracia’ em quem a elegeu, em quem não a elegeu, e até naqueles que protestaram burramente, ‘presidente de todos os brasileiros e brasileiras’: chamou a Brasília os governadores de Estado e lhes passou o recado: ‘a crise é uma travessia (que precisa do esforço de todos para ser vencida)’.
Segundo ela, temos todos, e sem exceção, que pagar pelas contas da Copa que não escolhemos e nem fomos consultados; pelos recursos públicos que vazaram dos cofres da Petrobras a bolsos escusos; pelos acordos clandestinos com empresários e empreiteiras que garantem votações legislativas e projetos de poder. No caso, o do PT.
Os governadores foram polidos e... políticos. Ouviram, mas não ajudarão a recompor o tesouro minado por doações a fundo perdido a governos da América Latina e Caribe; e nem vão bancar os R$ 30 bilhões do orçamento deficitário apresentado para 2016. Sobretudo, Dilma não conseguiu torná-los parceiros solidários a lutarem pela ressurreição da CPMF, ‘varinha de condão’ proposta por sua equipe econômica.
O Brasil segue descendo a ladeira: vão sangrar ainda mais a Seguridade Social — integralizada com recursos tirados ‘à unha’ dos trabalhadores para, em tese, garantir-lhes aposentadoria tranquila — e bancar, integralmente, o ‘Minha Casa Minha Vida’ que jamais atingiu metas mas é ferramenta poderosa de tempos eleitorais.
A maioria do povo brasileiro não busca informação ou prefere não ter. Deus olha, esfrega o queixo e resmunga: o que esses meus filhos, aos quais dei livre arbítrio, estão cometendo?’ Se o próprio Pai não sabe...
PS1: Por favor, poupem-me os petistas roxos que me pedem declaração formal de ser anti-petista. Para mim, e reafirmo, qualquer partido no poder faria igual. São todos iguais. Nós também somos todos iguais: massa de manobra.
PS2: Você comprou extintor ABC para seu carro? Não achou e está preocupado porque ‘vão multar a partir de 1º de outubro, quem não tem?’ Relaxe. O Denatran anunciou que carro não precisa mais de extintor! É incrível ou não é? Somos todos uma coisa só : massa de manobra. E não é eco...
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
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