Se existiu golpe, este foi eleitoral


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Nos últimos tempos, a presidente Dilma Rousseff (PT) e seus aliados estão repetindo o mesmo argumento: qualquer tentativa de tirá-la do poder não passa de um golpe. Este grupo, o maior responsável pela situação crítica que a economia do País vive atualmente — por causa de uma gestão errática e pelos rombos que, descobre-se agora, a legenda patrocinou em órgãos públicos e empresas estatais, como Petrobras e Nuclebras —, aferra-se ao poder e tenta reverter um caminho cada vez mais evidente. Nos últimos dias, a presidente se esfalfa em entrevistas e discursos em eventos públicos em tentar colar uma tentativa de golpe ao processo legal que já tem elementos suficientes para tirá-la de seu posto.
 
O que Dilma tenta fazer parecer é que a oposição quer tomar o seu cargo por causa da crise econômica que ela e sua equipe criaram e alimentaram nos últimos quatro anos. Sub-repticiamente, coloca até o partido do vice-presidente Michel Temer (PMDB), que integra a sua base aliada, no mesmo bolo. Acontece que o vice assume caso Dilma seja impedida de continuar na presidência da República. Mas, ao contrário do que tenta fazer crer, ela pode perder o mandato (e, em consequência, os direitos políticos) por causa da atuação de sua equipe econômica. A chamada “contabilidade criativa” e as “pedaladas fiscais” podem ser consideradas ilegais pelo TCU (Tribunal de Contas da União) e dar a partida no processo do impeachment. Nos últimos anos, o governo federal se especializou em “maquiar” as contas e apresentar resultados positivos que, vê-se hoje, foram falseados. Se a Lava Jato conseguir provar que o dinheiro do Petrolão beneficiou as campanhas da presidente, aí então, pode-se prever a irreversibilidade de seu impedimento.
 
Ao contrário do que diz a presidente, não há articulação para um golpe. O Brasil já viveu um golpe, em outubro do ano passado, e este foi eleitoral. Todas as medidas que Dilma garantia que não tomaria está tomando agora, cortando inclusive verbas para os programas em que se apresentava como uma espécie de “mãe”, como o Bolsa Família, o Pronatec, o Minha Casa Minha Vida e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Disse que seus adversários iriam aumentar impostos e ela não: além de aumentar alíquotas e incluir mais trabalhadores na base do Imposto de Renda, agora quer reeditar o imposto do cheque, um dos mais perversos tributos da história recente do País. Ela mentiu, atacou adversários e fez-se de salvadora da Pátria. Reeleita, agora debate-se no lamaçal que ela mesma criou. Só os seus discursos não serão capazes de mantê-la no poder. A cada dia a possibilidade de Dilma Rousseff não terminar o mandato fica mais palpável.
 
 
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