‘Tinha médico morando no PS e eu avisei a secretária’, diz diretor


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O diretor-técnico do Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”, Renato Del Bianco, prestou depoimento no fim da tarde dessa quinta-feira à CEI
O diretor-técnico do Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”, Renato Del Bianco, prestou depoimento no fim da tarde dessa quinta-feira à CEI
O diretor-técnico do Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”, Renato Del Bianco, prestou depoimento no fim da tarde dessa quinta-feira à CEI (Comissão Especial de Inquérito) aberta pela Câmara para investigar a ação de uma quadrilha de falsos médicos e os contratos assinados pela Prefeitura com o ICV, empresa responsável pela contratação dos falsários. O médico afirma que avisou a secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, sobre as irregularidades cometidas pelo instituto. Mas não teve resposta. 
 
Há nove anos como diretor, Del Bianco disse que duas semanas depois que o ICV começou a prestar serviços já havia inúmeros problemas. “Eles não tinham escala. Não passavam informação nenhuma para a gente que era da Prefeitura. Nem sabíamos com quem estávamos trabalhando. Nem para mim, que era o diretor-técnico, eles se apresentavam”, disse. 
 
Del Bianco contou ainda que, assim que chegaram, os profissionais do ICV se mudaram para a sala de descanso dos médicos. “Eles tomaram conta do lugar. Se apossaram. Eu avisei a secretária Rosane sobre o perigo de termos médicos morando no pronto-socorro. Disse que era um absurdo, que se houvesse fiscalização do Ministério do Trabalho, teríamos problemas. Se o PS fosse uma lavoura de café, estariam todos presos.”
 
Ainda de acordo com o diretor, ele também teria comunicado a Prefeitura a respeito dos médicos do ICV não terem um contrato de trabalho e receberem por meio de empresas. “Eles (o ICV) estavam quarterizando o serviço para outras empresas médicas. Eu achava isso um absurdo. Era rotina eu discutir isso com o diretor-administrativo.”
 
Del Bianco conta também que as irregularidades cometidas pelo ICV e o fato de os profissionais ocuparem o espaço de descanso, impedindo os médicos da Prefeitura de usarem o local, gerou uma série de reclamações. “Havia muitas divergências. A secretaria acabou transferindo todos os médicos que eram concursados, e reclamavam. Foram 19 de uma vez só.”
 
Com as transferências, o ICV acabou assumindo todo o serviço do pronto-socorro. “Eu via as coisas, alertava, mas acabei perdendo espaço. Estava me sentindo ridicularizado e pedi para ser transferido para o NGA-16, onde atualmente atendo como cardiologista”, disse. 
 
Outra denúncia grave feita por Del Bianco tem relação direta com os supersalários pagos aos médicos do ICV. “Na verdade, eles não faziam plantões direto de mais de 24 horas. Até porque seria humanamente impossível. Eles se revezavam. Por exemplo, eram seis médicos escalados. Três atendiam enquanto três ficavam no descanso. Depois, os que estavam no descanso atendiam e os que estavam atendendo descansavam. Era assim que funcionava. Todo mundo sabia.”
 
Sobre as medidas tomadas pela Prefeitura depois das denúncias apresentadas, Renato Del Bianco disse que ouviu da secretária apenas um “vou ver”. Nada mais. 

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