Amanhã, sábado, teremos mais uma edição dos eventos de Cinema e Psicanálise de Franca, a partir das 14h30 na sede campestre do Centro Médico de Franca.
Nesta ocasião ocorrerá a exibição do filme À Procura do Amor e posteriores comentários da experiente e sensível psicanalista Maria Luiza Salomão, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.
O filme abordado remete às diversas circunvoluções geradas na busca pelo amor. Lembrei-me de uma canção de Agostinho dos Santos, onde os versos já sinalizavam: “ninguém esconde o amor/ ninguém proíbe o amor/ é só olhar no olhar/ para o amor chegar”. A busca da mágica, da química, do encontro, do reencontro.
Por evocar mitos antigos e desejos perenes, em geral as histórias de amor focalizam seres etéreos e inatingíveis. Os “melhores” exemplares humanos de cada época. O diferencial da abordagem desta obra é apontar para seres bastante complexos na simplicidade cotidiana de cada um de nós.
Alguns podem chamá-lo de “leve”. Será leve viver o amor? Será leve conhecer alguém? Será leve olhar-se em ação nas desajeitadas artes da adaptação ao outro? Será leve reconhecer seu (sua) amado (a) através de olhares diversos ao seu oriundos de seu passado e sua trajetória?
À Procura do Amor, de 2013, tem direção de Nicole Holofcener com os atores James Gandolfini e Júlia Louis-Dreyfus. O enredo constrói o progressivo envolvimento entre Albert e Eva, duas pessoas adultas, que tiveram relacionamentos anteriores, estão separadas e são portadoras de “feridas emocionais”. Ambos se vêem convidados pela vida a se despirem de preconceitos.
A psicanálise, enquanto pensadora da cultura, reforça a contínua revisão de nossas práticas. À sua maneira também está frequentemente “à procura do amor”, considerando o amor o vínculo maior. Apresenta-nos, constantemente, o embate entre sonho e realidade, entre desejo e experiência, entre fatos e deduções. O filme é uma via agradável e humana que nos possibilita todas essas reflexões.
Ao ler uma sinopse do filme, assinada por Mara Reinstein, deparei-me com um comentário: “acabou a espera por uma comédia romântica adulta e totalmente deliciosa.” Quer dizer que as histórias românticas vinculam-se à juventude? Lembrei-me de muitas pessoas se sentirem como “colegiais” “adolescentes” quando estão enamoradas. Talvez haja aí uma confusão com a instigante sensação vitalizadora que o enamoramento dá. Enamoramento que pode ser por idéias, por projetos, pelo outro e até pela gente mesmo.
Certamente neste sábado aberturas nos serão colocadas e expandirão nossa visão.
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