Os ministros da área econômica, Joaquim Levy (Fazenda) e Nélson Barbosa (Planejamento), nem bem anunciaram o pacote de medidas para reequilibrar as contas do governo que se encontram totalmente sem rumo e que nos colocam em uma crise sem precedentes na história recente do País, já se investiram da inglória (e ingrata) tarefa de tentar convencer os brasileiros, principalmente deputados e senadores, a aprovarem o novo imposto sobre movimentação financeira (o chamado imposto do cheque, que até pouco tempo atrás não passava de uma triste lembrança). Vai ser difícil, principalmente diante da manifestação de parlamentares, inclusive da base aliada, de que um novo imposto pode prejudicar ainda mais a imagem do governo e da classe política brasileira.
Joaquim Levy, que não conta com a simpatia da maioria dos deputados de seu próprio partido, o PT, tenta ganhar apoio e, por isso, enunciou uma pérola: em entrevista concedida à TV NBR na noite de terça-feira, o ministro afirmou que o imposto é “pequenininho”, que “não bate na inflação” e que “todo mundo paga — rico, pobre e todas as empresas”. Foi o que bastou para que as críticas surgissem como uma avalanche, ainda diante da constatação de que qualquer novo imposto, taxa ou tarifa criados hoje, penalizando todo o setor produtivo nacional, torna-se um fardo pesado. Como já foi provado, o brasileiro compromete 40% de sua renda pagando tributos, os que incidem sobre proventos e consumo. E deve-se lembrar de que o imposto tipo CPMF é um dos mais perversos por ser cumulativo e cobrado a cada transação financeira.
O Brasil tem uma das mais pesadas cargas tributárias do mundo que se dissipa diante de uma máquina administrativa pesada, má gestão dos recursos e corrupção. O brasileiro não recebe de volta o que paga em sua totalidade. Fica muito fácil cobrir rombos, desvios e incompetência à custa do esforço alheio. Os cortes na máquina administrativa do governo federal que se desenham até agora não passam de uma alegoria para tentar tornar mais palatável um novo imposto como saída única para a crise. Há outros remédios amargos, sim, mas que não precisam que ser enfiados goela abaixo de quem trabalha e produz. Uma reforma administrativa surtiria efeitos surpreendentes em nossa combalida economia, mas o governo mostra-se refratário em reduzir os cargos comissionados, cortando na própria carne, pois teme aborrecer aliados. Da forma como o pacote está, dificilmente será aprovado. Se for, vai ser difícil para Dilma se sustentar no poder, ao causar uma nova revolta em toda a Nação.
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