Ratos, baratas, aranhas, cobras e escorpiões. Há cerca de seis meses, desde que caminhões passaram a descartar entulhos em um terreno paralelo à rua Eloy Francisco Mantovani, rente ao muro de diversas casas, esses animais se tornaram “visitas” frequentes em residências do Jardim Ipanema. Fotos tiradas por moradores flagraram a ação de um veículo no momento do despejo e uma situação de imundície. Segundo a população, uma máquina - de origem desconhecida pelos vizinhos - recolheu parte do lixo nos últimos dias, mas o cenário ainda é de sujeira por todo lado. “Não adiantou nada. Em menos de uma semana, já vai estar lotado de sujeira. Essas valas foram construídas para o escoamento da água da chuva, mas como está, é impossível”, disse a dona de casa Fátima Aparecida Cardoso. “Quando compramos os terrenos, o corretor avisou que a vala deveria estar sempre liberada”, completou.
O problema que envolve o entupimento da vala causa insegurança. A cava tem, aproximadamente, 1,5 metro de altura por 2 metros de comprimento e, em grande parte, encontra-se encoberta. Com a chegada da chuva, o medo dos moradores é que a estrutura dos muros sofra abalos como infiltrações e rachaduras provocadas pela umidade armazenada pelos entulhos. Outro ponto é que o amontoado úmido propicie ainda mais a proliferação de bichos indesejados, como o próprio mosquito da dengue.
Outros animais, especialmente os peçonhentos, preocupam ainda mais. Fátima tem guardado num vidro um escorpião e uma cobra que invadiram sua casa. A dona de casa Sheila Angélica Correa, preocupada com o risco para seus filhos, decidiu ela mesma realizar a limpeza do local mais próximo à sua residência para evitar algum acidente na família. “Tenho três crianças pequenas e já pegamos em casa: ratos, escorpiões e tudo quanto é tipo de bicho. Por isso, essa semana mesmo meu marido e eu nos juntamos para limpar.”
Os moradores afirmam desconhecer a origem dos caminhões e disseram que já relataram o caso a agentes de fiscalização da Prefeitura. O diretor da Vigilância em Saúde, José Conrado Netto, por sua vez, disse à reportagem, na tarde de ontem, que uma equipe do departamento será enviada hoje ao local para averiguar a situação. “Vamos ver o que está acontecendo. Se for área particular, notificaremos o proprietário e, se for pública, a Secretaria de Serviços. Com a ajuda dos munícipes, que podem fotografar e registrar a placa dos veículos, podemos localizar quem realiza o descarte e autuá-lo.”
A multa pelo descarte irregular varia de dez Ufesp (Unidade Fiscal do Estado de São Paulo) a 10 mil Ufesps, hoje avaliada em R$ 21,25. “Se conseguirmos autuar a pessoa por isso, o processo é encaminhado ao promotor do Meio Ambiente”, concluiu Netto.
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