Greve no INSS completa 50 dias e revolta quem precisa do serviço


| Tempo de leitura: 3 min
Com agência fechada devido à greve, pessoas fazem fila na porta em busca de orientações sobre atendimentos
Com agência fechada devido à greve, pessoas fazem fila na porta em busca de orientações sobre atendimentos
Tentando há dois meses transferir para outro banco o benefício que recebe do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), o aposentado Antônio Augusto Duarte, 68, estava inconformado anteontem, na porta da agência local, depois de tentar mais uma vez ser atendido e não conseguir. “Estou com esse problema há quase dois meses e, com essa greve, não consigo resolver. Já perdi a conta de quantas vezes estive aqui e dei de cara com a porta. Essa situação prejudica demais os beneficiários”, disse. 
 
Em Franca, o INSS teve seus serviços interrompidos no último dia 27 de julho, quando os servidores aderiram à greve geral da classe.
 
Depois de tentar mais uma vez resolver o problema, o aposentado despejou sua indignação com a paralisação do serviço que, de acordo com ele, prejudica apenas a população. “É revoltante que esses servidores fiquem tanto tempo sem atender quem precisa. Ninguém tem que pagar o preço por eles não conseguirem o que reivindicam”, desabafou.
 
A diarista Maria Rosália Cipriano, 60, é outra que necessita de atendimento e não consegue por causa da greve. “Nesta semana vence o prazo final para que eu entre com o pedido de aposentadoria por idade, mas, com a paralisação nos serviços, a data foi transferida para a próxima semana. Minha esperança é que não seja adiado novamente, quando voltar aqui”, disse.
 
Durante o tempo em que a reportagem do Comércio esteve no local, dezenas de pessoas buscaram atendimento. Um atendente informava que a agência continuava fechada devido à greve e realizava as orientações pertinentes a cada caso. Mas, segundo os beneficiários, não passava nenhuma informação sobre a previsão de encerramento do movimento e normalização do serviço.
 
Para Maria Francisca de Carlo Gonçalves, 61, a greve tornou-se um problema desde que ela iniciou um processo para se afastar do trabalho por estar doente. Precisando de um documento há mais de um mês, ela busca atendimento e não tem sucesso. “Já estive aqui diversas vezes e não consigo um simples documento. Entendo as reivindicações dos trabalhadores, mas não podemos ser prejudicados no processo, é complicado quando o único que sofre é o povo”, disse.
 
Perícias
Desde o dia 4 deste mês, os peritos também aderiram à greve do INSS, mas os atendimentos ainda são realizados parcialmente. Para evitar contratempos, o segurado que tem perícia médica agendada é orientado a ligar para a Central 135 e consultar a situação do atendimento. Quem não for atendido devido à greve dos peritos, terá a data remarcada e poderá confirmar o novo dia pelo mesmo telefone. Ainda segundo o INSS, para evitar prejuízo financeiro aos beneficiários, a data originalmente agendada será considerada para efeito de entrada do requerimento.
 
Reivindicações
Entre as reivindicações da categoria estão a redução da carga horária de 40 horas para 30 horas semanais, a incorporação de benefícios ao salário, a redução de níveis de progressão, a recomposição do quadro de peritos e o aumento salarial de 27%, dividido em dois anos.
 
De acordo com a assessoria de imprensa do Ministério da Previdência Social, os principais pontos da última proposta do governo para os servidores do INSS são o estabelecimento de um acordo com vigência de dois anos e uma reestruturação das tabelas remuneratórias, com expansão de 10,8% divididos entre 2016 (5,5%) e 2017 (5%). Agora, o governo aguarda a manifestação das entidades sindicais que representam os servidores. 
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários