Obras públicas de R$ 28 milhões andam a passos de tartaruga


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A mais cara das obras é a revitalização do Engenho Queimado, orçada em R$ 19 milhões
A mais cara das obras é a revitalização do Engenho Queimado, orçada em R$ 19 milhões
Cinco obras públicas e dois pontos em comum entre elas: possuem orçamentos milionários e se desenvolvem a passos de tartaruga. A Unidade de Pronto Atendimento do Jardim Anita; a Unidade Básica de Saúde do Residencial Santa Clara; o Centro de Artes e Esportes Unificados do Parque Leporace II; a Creche-escola do Jardim Santa Hilda; e a revitalização do Engenho Queimado são empreendimentos que somam um investimento estimado em R$ 28,1 milhões e deveriam, além de trazer melhor qualidade de vida à comunidade, amenizar os problemas de falta de vagas em creches e desafogar polos de Saúde de grande fluxo na cidade. Mas o atraso em algumas delas chega a até quase três anos e, enquanto isso, quem sofre é a população. 
 
“Moro no Júlio D’Elia e a UBS do Santa Clara tem feito muita falta. Para você ter uma ideia, eu deveria me consultar na UBS da Vila São Sebastião, enquanto esta aqui não é inaugurada. Só que, como eu, todo mundo da região vai para lá, fazendo com que seja muito difícil conseguir uma consulta. O jeito foi procurar atendimento na Estação”, disse a dona de casa Valdirene Parreira Costa. “Se a UPA fosse inaugurada, a gente teria atendimento perto de casa e não sobrecarregaria o pronto-socorro”, completou a empacotadora Josiane de Oliveira Macedo.
 
Outro ponto levantado pela comunidade em relação aos atrasos são as condições das estruturas que, com o passar dos meses, vão sendo deterioradas pela ação de vândalos e do tempo, como ocorreu com o Centro de Artes e Esportes do Leporace. “Assim que inaugurar, já pode anunciar a reforma. Olha a situação desta praça”, disse a sapateira Viviane Cristina Moreira, apontando para a depredação do local. A obra, avaliada em R$ 2,3 milhões, tem pichações, buracos no alambrado e lixo ao redor. “Trouxe meu filho para brincar no fim de semana, mas tive que voltar por causa do cheiro de maconha. Aqui virou ponto para uso de drogas”, afirmou o marido de aluguel Leonardo Barbosa.
 
A mais cara das obras é a revitalização do Engenho Queimado, orçada em R$ 19 milhões. Ela deveria ser entregue em outubro deste ano mas, embora o prazo não tenha vencido, o projeto está longe de ser concluído. Além da canalização do córrego, que está em andamento, as obras preveem o plantio de árvores ao longo do curso d’água e serviços de drenagem e captação de águas pluviais. Também está prevista a instalação de um centro de lazer com campo de futebol, pista de caminhada e parques com brinquedos infantis. 
 
“Tenho a esperança de viver para ver essas obras prontas”, disse a sapateira Josine Valéria da Silva, de 75 anos. “É uma história que, por muito tempo, foi só um projeto ‘de gaveta’. Lutamos muito para ver o início das obras”, completou.
 
No último dia 11, o Comércio trouxe denúncia de abandono das obras da creche-escola do Santa Hilda. Na ocasião, foram relatados a falta de segurança e descaso com verbas públicas que poderiam atender até 140 crianças. Após o episódio, o cenário encontrado no local foi diferente nessa segunda-feira. No portão que antes fora “trancado” com um arame pela reportagem, agora encontra-se um grosso cadeado. Funcionários da empreiteira responsável organizavam e limpavam a área, informando a continuidade das obras. 
 
A Prefeitura foi procurada para informar as razões que levaram aos atrasos, bem como a previsão de novos prazos para entrega das obras citadas. Mas, até o fechamento desta edição, não se pronunciou.
 

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