Há alguns meses, mais exatamente em outubro do ano passado, este mesmo espaço já apontava para a situação crítica do Hospital Psiquiátrico “Allan Kardec”, a qual, de lá para cá, só veio a piorar. Hoje, a instituição — uma das mais respeitadas do País e que atende centenas de pacientes de toda a região, não apenas de Franca — encontra-se à beira da insolvência e só não interrompeu o atendimento por causa do esforço de seus diretores que recorrem a empréstimos para cumprir os compromissos. Hoje, o maior inimigo do hospital é o Poder Público, o mesmo que usa o dinheiro do contribuinte para pagar procedimentos inexistentes ou então pagar fortunas a um instituto que contratava os falsos médicos que vinham agindo em Franca. É incongruente que uma Prefeitura pague a um instituto, contratado de forma irregular, o dobro do determinado em contrato por um serviço que colocava em risco a vida de milhares de pacientes e virar as costas para um estabelecimento de saúde sério e detentor de uma extensa folha de serviços prestados.
O encerramento do convênio com a Prefeitura mostra claramente a forma como pensa a administração comandada por Alexandre Ferreira. O “Allan Kardec” reivindicava R$ 100 por paciente ao mês, enquanto a municipalidade insistia em pagar a metade. Pois bem: atendendo 130 pacientes, se tivesse o pedido acatado, o hospital receberia da Prefeitura R$ 13 mil por mês (R$ 156 mil por ano). O valor de um ano inteiro seria apenas o dobro pago por um mês ao falso médico Pablo Mussolin. No ano passado, o ICV (Instituto Ciências da Vida) alegava que ele teria feito plantões seguidos de 24 horas em 31 dias. Neste caso, o prefeito não estrilou, não bateu o pé e nem cancelou o convênio, muito pelo contrário.
O que se estranha neste caso, além da insensibilidade, é a desfaçatez do prefeito e de sua secretária de Saúde ao não defender uma verdadeira instituição francana altamente qualificada e referenciada pelo tempo de atuação na comunidade e região. Com os valores pleiteados, seriam necessários mais de cem anos para a Prefeitura pagar o que despendeu com o instituto em três meses. A direção do hospital “Allan Kardec” teve que entrar na Justiça para receber do Poder Público pelo atendimento a pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde), mas o dinheiro do governo ainda não chegou e o hospital se vê de pires na mão. É uma situação bastante difícil e que desabona mais ainda aqueles que foram eleitos com a missão de cuidar dos interesses da população. A questão que envolve o “Allan Kardec” é sintomática e mostra a forma como o País e o Município são geridos. São tempos de abusos e descasos, mas como tudo tem um fim na dinâmica cíclica da vida, há de se manter a esperança. Novos horizontes hão de brilhar, lançando no passado o desgoverno em que Franca e o País mergulharam.
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