Terça-feira, 8 de setembro. Na noite de chuva intensa em Franca, uma mulher foi vítima de um crime passional que chocou a cidade. A vítima foi a bancária Rosane Berteli de Souza, de 24 anos. Ela foi assassinada pelo ex-namorado, Breno Helton da Costa Rezende, 32, no estacionamento onde guardava seu carro, no Centro. Ele, em seguida, tentou se matar e foi socorrido em estado grave. Continua internado.
Inconformado e transtornado porque, há quase um mês, o relacionamento de um ano terminou, o comerciante procurou a ex-namorada e, a sangue frio, atirou em sua cabeça. Um disparo foi o suficiente para que Rosane caísse ao lado de seu carro, morta, no estacionamento da rua Júlio Cardoso.
Segundo o delegado Marcelo Rodrigues, que autuou o comerciante em flagrante por homicídio qualificado no dia dos fatos, ele havia passado por tratamento psiquiátrico recentemente. “Breno não aceitava o fim do relacionamento e procurava a vítima para tentar reatar. Ele estava transtornado e há poucos dias saiu do hospital ‘Alan Kardec’”, disse.
Enquanto aguarda do “Allan Kardec” o histórico do acusado e do Hospital Regional detalhes de seu quadro de saúde, o delegado responsável pelo caso, Márcio Murari, da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), tem realizado oitivas com testemunhas e familiares tanto do suspeito quanto de Rosane.
O pai do comerciante prestou depoimento na última sexta-feira (11) e relatou que o filho “era tranquilo”, que nunca tiveram problemas e ninguém achou que o fim do relacionamento resultaria numa tragédia. “De acordo com o pai, o Breno ficou internado por dois dias porque estava ‘acelerado’, mas saiu. Na segunda-feira, a família passou o dia em um clube e tudo parecia bem”, disse Murari.
Durante a semana, pessoas ligadas às famílias foram ouvidas pela reportagem do Comércio. Em tom de lamentação e na busca por uma explicação, algumas relataram que Rezende tinha um comportamento diferente. “Ele não estava trabalhando e ficava trancado em casa. Vivia recluso e agia de forma estranha. Mas nada disso levava a crer que ele faria isso”, disse um conhecido da família, que preferiu não se identificar. Um homem que estudou com o comerciante no colegial, na escola “Homero Pacheco Alves”, disse que Breno era “estranho”. “Desde aquela época, a gente notava que ele tinha atitudes fora do comum. Era diferente dos demais”, relatou. Uma mulher que conhece a família disse que Breno nunca fez nada que lhe chamasse a atenção. “Não o via há um tempo, mas nunca notei nada de anormal”, disse.
Tragédia da Ouvidor Freire
Esta não foi a única tragédia que se abateu sobre a família Rezende nos últimos anos. Helder Massucato Rezende, que matou a tiros os filhos, a mãe, feriu a mulher e outra filha e, depois, se matou, era primo de Breno. A “Tragédia da Ouvidor Freire”, como ficou conhecido o caso, ocorreu em 2008. Na chacina, que aconteceu dentro da casa da família, naquela rua, morreram Alexandre, 7, Letícia, 10, Lourdes Massucato, 75, e o próprio Helder. A mulher, Valéria Gomes Freitas, e a outra filha do casal, Júlia, 10, ficaram gravemente feridas e, hoje, anos depois, convivem com sequelas deixadas pelos ferimentos à bala. Na época, parentes e vizinhos relataram à polícia que Helder não trabalhava, tinha transtornos psicológicos e tomava remédios controlados. Ex-seminarista, Helder fazia tratamento para depressão. No dia da chacina, Valéria, que é cabeleireira, se preparava para trabalhar quando, aparentemente sem motivo algum, Helder passou a disparar contra todos que encontrou pela frente.
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