Morreu às 17h30 horas do dia 10 de setembro, no Hospital Regional de Franca, o conhecido e respeitado sa-pateiro e garçom Cecílio Sola Caminhoto, o Solinha. Havia completado 87 anos em 7 de setembro, e comemorou internado, em tratamento de pneumonia. O quadro se agravou com o registro de falência dos rins, fato clínico que o debilitou muito e o levou à morte.
Francano, era viúvo de Cecília Maranha Sola. De seu enlace de 60 anos, nasceram três filhos (Solange, Carlos Augusto e Isabel, casada com Carlos Eduardo Borges Freitas), cinco netos (Milena, Débora, casada com Davi Carrion; Carolina, Carlos Eduardo e Marília) e três bisnetos, Leonardo, Guilherme e Beatriz, seus xodós.
Cecílio dedicou-se ao trabalho pesado desde jovem. Empregou-se como sapateiro e, por méritos, tornou-se chefe da seção de corte, inicialmente, em Calçados Palermo. Passou, depois, sempre como chefe de seção, por Calçados Rui de Mello, Roberto e Peixe. Paralelamente, para “melhorar os ganhos”, dedicou-se a ser garçom. Segundo Solange, sua filha, “papai jamais deixou de atuar em seus dois trabalhos, ao mesmo tempo. Nós sempre o consideramos um guerreiro do trabalho. Nunca nos deixou faltar nada, e suas jornadas de trabalho eram duríssimas”. Quem conheceu Solinha sabia que suas atividades profissio-nais eram exercitadas com grande dedicação e especial forma de comportamento: “cobrava-se muito e conseguia
respeitar os horários. Afinal, fábrica de calçado tem horário rígido, e eventos, nos quais
atuava como garçom, também não havia como negociar”, disse Solange.
Ela se lembra de ocasiões de carnavais da AEC — onde seu pai atuou por mais de 30 anos ao lado de compa-nheiros que fazem parte da memória coletiva de várias gerações (Antônio Maranha, Geraldo, Valdir, ‘seu’ Luís, Cantinflas e tantos outros) — que duravam cinco dias entre noitadas e matinês. Havia dias em que as fábri-cas faziam acordo para parar, mas alguns funcionários não paravam e iam ao trabalho, “e meu pai, como chefe de seção, tinha que também ir, reduzindo em muito suas horas de sono. Mesmo muito cansado, podia-se sabê-lo na fábrica, quando era necessário, e na AEC, cumprindo seu papel servindo amigos que fez pela vida inteira”.
Essas amizades tinham Solinha com um “cupido”. Solange contou que seu pai, “por ter trabalhado junto a várias gerações” (atendeu os pais, depois os filhos, depois os netos e conheceu bisnetos), construiu com muitos a co-nhecida “cumplicidade do garçom”, fosse como ombro amigo, fosse como intermediário da reaproximação de casais que tinham desacertos durante bailes. “Ficavam felizes e lhe diziam que o queriam como padrinho. Meu pai foi padrinho de cerca de vinte casamentos. Orgulhava-se muito disso”.
Aposentou-se com sapa-teiro, mas continuou traba-lhando. A “herança” que sempre lutou para deixar aos filhos, alcançou somando seus ga-nhos com os da mulher, Cecília, bordadeira também muito respeitada em Franca, e os formou em escolas res-peitáveis como decoradora, economista e administrador, e ciências contábeis. “Papai tinha esse comprometimento com educação e cultura para os filhos”, disse Solange.
Solinha também escreveu história como garçom nos Rotarys francanos. Levado à instituição pelo amigo e outro garçom tradicional francano, Luís Alexandre Ribeiro — que persiste ainda na atividade —, lá trabalhou por quase 20 anos.
O velório de Solinha aconteceu no São Vicente de Paulo. Sepultamento, com serviços da Funerária Francana, foi reali-zado no Cemitério da Saudade, às 14 horas da sexta-feira, dia 11.
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