Além de enfrentar a falta de ginecologistas nas Unidades Básicas de Saúde - com consultas apenas para 2016 -, os usuários da Rede Pública agora precisam lidar com a dificuldade em conseguir atendimento odontológico. De acordo com as pessoas ouvidas pela reportagem, problemas como filas de espera de até 12 horas para retirada de senhas, demora de até seis meses para atendimento e a ausência de profissionais são constatados em várias unidades, entre elas, Aeroporto, Estação e Vila São Sebastião. Nas duas primeiras a reportagem confirmou a ausência do profissional. No caso da São Sebastião, a informação é de que a unidade já conta com dentista, mas a agenda está lotada e os pacientes não conseguem marcar atendimento.
Uma das usuárias que falou ao Comércio foi a dona de casa Andrea Aparecida Silva. Ela disse que teve um de seus dentes trincado durante um procedimento na Rede Pública. Meses mais tarde, o dente quebrou e ela procurou ajuda na UPA do Aeroporto I. “O dentista me atendeu colocando um curativo, de forma emergencial. Ele me disse que, a partir dali, eu teria que conseguir uma vaga na UBS para dar continuidade ao tratamento. Nas duas vezes em que abriu vaga para atendimento, cheguei às 5 horas da manhã e não consegui”, disse ela.
“Depois de tentar mais uma vez ser atendida na UPA, por estar com dor, liguei na Secretaria da Saúde para fazer uma reclamação na Ouvidoria. Esperei dois meses pela resposta e durante esse período fiquei com o curativo e com medo dele cair ou dar alguma infiltração”. Moradora da Vila São Sebastião, a aposentada Maria Doraci Chagas narrou sua saga para tentar o atendimento para seus netos. O mais velho, de 17 anos, ficou por seis meses esperando conseguir uma vaga, mas, após o agravamento de seu caso, recorreu ao atendimento particular. “Ele teve uma infecção muito forte e o levamos a um dentista particular, que fez uma cirurgia”, disse ela. “É muito difícil conseguir uma vaga. Quando liberam as consultas, são apenas dez. Aí, o pessoal vai para a porta da UBS por volta das 19h do dia anterior. Eu mesma já fiz isso para conseguir consulta para o meu neto. Levamos cobertores, garrafa de café e passamos a noite no local para tentar a vaga”, disse.
Esse tipo de situação também têm se repetido em outras unidades, conforme depoimentos de usuários. A Prefeitura foi procurada para falar a respeito da falta de profissionais e responder se há previsão para que os problemas narrados sejam solucionados, mas não se manifestou até o fechamento desta edição.
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