A Fundação Casa de Franca completou oito anos ontem. Para comemorar a data, a unidade reuniu na quadra de esportes os adolescentes que cumprem medidas socioeducativas, familiares e autoridades para uma festa de confraternização. Foram feitas apresentações de música, dança e premiação a funcionários. Ao final, foram servidos bolos e salgados, tudo preparado pelos integrantes do curso interno de panificação.
Estima-se que cerca de 1,2 mil adolescentes tenham passado pela Fundação Casa de Franca ao longo dos últimos oito anos. Atualmente, as 64 vagas estão ocupadas. Em torno de 65% dos menores foram detidos por envolvimento com o tráfico de drogas.
“São oito anos de conquistas e vitórias. Temos uma equipe grande, corajosa e que trabalha muito. Não é fácil trabalhar com medida socioeducativa. A luta é grande. Temos, hoje, o tráfico que é o nosso maior inimigo e que abraça esses meninos muito mais do que ações positivas”, disse a diretora Eloaine Aparecida de Souza. “A gente consegue um índice alto de recuperação, a reincidência é considerada baixa. Alguns adolescentes retornam e cumprem medidas novamente, mas ainda conseguimos mais vitórias do que fracasso”, completou.
O aniversário foi comemorado em dose dupla. No mesmo mês em que completou oito anos, a unidade de Franca conquistou o segundo lugar em uma premiação nacional que avaliou projetos destinados a promover a superação das dificuldades enfrentadas por comunidades carentes.
O projeto “O Adolescente na Medida Certa”, desenvolvido pela Pastoral do Menor e Família da Diocese de Franca, atua na defesa de crianças e adolescentes de baixa renda em situação de risco. Nos últimos dois anos, inseriu 639 adolescentes no ensino regular, 111 em cursos profissionalizantes, 112 no mercado de trabalho e auxiliou 581 menores a regularizarem seus documentos pessoais.
“Graças ao acreditar numa verdade superior, conseguimos trazer um trabalho diferenciado, que é reconhecido. Temos um referencial. Franca é considerada uma das unidades com menor índice de reincidência no Estado”, comentou o padre Ovídio José Alves de Andrade, presidente da Pastoral.
Padre Ovídio falou das dificuldades enfrentadas para desenvolver projetos de recuperação e lembrou que, muitas vezes, adolescentes são aliciados pelo mundo do crime. Disse aos jovens infratores que sempre acreditou ser possível mudar de vida e que eles são capazes de serem grandes homens no futuro.
“Temos exemplos de adolescentes que se recuperaram e constituíram família. Vale a pena acreditar, fazer alguma coisa por eles. Quando os meninos chegam aqui, a gente vê o quanto eles são vítimas de uma sociedade que os excluiu. Eles têm um coração, às vezes, muito maior do que daqueles que estão próximos de nós”, finalizou o religioso.
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