De crise em crise


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Nasci em plena crise. Era uma crise político-militar: Getúlio Vargas deixava o poder e iniciava-se no Brasil um período democrático. Durou pouco. Em 1954, Getúlio suicida-se e começa uma nova crise sendo o poder ocupado por vários presidentes, até a posse de Juscelino que iria nos trazer um pouco de paz, desenvolvimento e inflação. Após Juscelino, vem Jânio da Silva Quadros com seus desvarios, sua turbulência, sua renúncia e seu mandato tampão. Segue-se um regime parlamentarista feito para agradar e enganar os milicos. Entra-se no período do presidente João Belchior Marques Goulart, caracterizado pelos embates entre esquerda, direita e, consequentemente, o volver. Destronado o João, assume o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco e com ele instala-se o regime militar. Na época de Castelo Branco, o controle das finanças e da inflação quebrou muitas fábricas de calçados em Franca. Da rápida passagem de Costa e Silva, ficou o Ato Institucional 5 para ser aplicado pelo presidente Garrastazu Medici, cuja gestão, se não fosse o terrorismo e a guerrilha, seria uma época de paz e tranquilidade, conhecida como o “milagre brasileiro”. As crises, durante os regimes militares, eram sempre “político-militares”. Assim, tivemos algumas nas fases de Geisel e Figueiredo. As crises nos regimes civis são principalmente econômicas. O governo de Sarney foi um desastre. O governo de Collor consolidou o desastre. Os governos de Itamar e Fernando Henrique começaram a consertar o Brasil. No governo de Lula tivemos outro “milagre brasileiro”. Porém, no segundo mandato da presidenta Dilma, a crise, oculta e reprimida, apareceu com toda a força.

Portanto, estamos novamente em crise. Às vezes, eu me pergunto:

-Será que, em algum tempo, chegamos a viver sem a crise?

Na verdade, nascemos na crise, vivemos na crise e morreremos em crise. A crise faz parte da nossa pátria, da nossa vida, da nossa maneira de ser.

Por conseguinte, que venha a crise. Seja ela forte ou fraca, estamos preparados para enfrentá-la. Pois, como disse um grande escritor nacional, :

- “O sertanejo (ou melhor, o brasileiro) é antes de tudo um forte”.
 

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