A face mais visível da crise econômica que atinge o País pelo menos no último ano e meio são os números crescentes do desemprego e da inflação, que não têm, pelo menos por ora, um remédio eficaz. Em decorrência, outro ponto que expõe a instabilidade que o Brasil atravessa é a inadimplência: os números demonstram que pelo menos 40% da população brasileira adulta têm alguma dívida pendente atualmente. E a cada mês, milhões entram no rol dos maus pagadores. O número de consumidores inadimplentes aumentou 4,86% em agosto em relação ao mesmo mês do ano passado. De acordo com dados da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) foi o quarto mês consecutivo em que a inadimplência subiu acima do patamar dos 4%. Na comparação com julho deste ano, houve alta de 0,65%.
Ainda conforme as duas entidades, no mês passado havia cerca de 57,3 milhões de consumidores com o nome inscrito no SPC, ou 39% da população brasileira adulta, entre 18 e 95 anos de idade. Desde janeiro, 2,7 milhões de pessoas foram incluídas no cadastro. O número de dívidas em atraso cresceu 6,28% em agosto na comparação com o mesmo mês de 2014, e teve elevação de 1,52% ante julho, a maior alta para o mês de toda a série histórica. De acordo com a CNDL e o SPC Brasil, pelo quarto mês consecutivo as contas de água e luz foram o principal destaque no indicador anual de inadimplência, com aumento de 13,89% na quantidade de dívidas em atraso. Em seguida, aparecem dívidas de bancos, com alta de 10,28%.
É um efeito dominó: a retração no mercado de trabalho, que tem levado muitos a aceitar um acordo de redução de salários para não perder o emprego, aliada ao aumento de preços (que atinge alimentação, serviços, combustíveis, água e luz), tem feito o brasileiro eleger suas prioridades, protelando o pagamento de dívidas. Caso a situação da economia brasileira não se resolva em curto prazo -- algo bastante distante de acontecer, segundo garantem especialistas --, estes números, que já são preocupantes, tendem a crescer ainda mais. Por isso, é importante que o governo busque soluções alternativas à criação de novos impostos e aumento dos já existentes para não penalizar a classe produtiva. Uma medida nesse sentido pode ser um tiro no pé e aumentar a deterioração da economia. O aumento na inadimplência em números acima dos apurados agora será desastroso para o nosso País que pode se embarafustar num caminho cuja volta à normalidade será penosa e demorada.
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