Assassino procurou a ex-namorada 4 vezes e a abraçou antes de atirar


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Familiares e amigos se despediram da bancária Rosane Berteli, 24. Ela foi enterrada ontem à tarde no Cemitério Santo Agostinho, em Franca, em clima de tristeza
Familiares e amigos se despediram da bancária Rosane Berteli, 24. Ela foi enterrada ontem à tarde no Cemitério Santo Agostinho, em Franca, em clima de tristeza
Durante toda a quarta-feira, era impossível estar em algum lugar em que a morte da bancária Rosane Berteli de Souza, de apenas 24 anos, não fosse assunto. O sentimento de tristeza e revolta, além da procura por explicações, fizeram parte do cotidiano dos francanos, que tentam entender os motivos do crime do comerciante Breno Helton da Costa Rezende, de 32 anos. Ele assassinou a sangue-frio a ex-namorada na noite de terça-feira (8), com quem se relacionou por um ano e de quem estava separado há cerca de um mês e meio. Minutos depois, tentou dar fim à própria vida e permanece internado em estado grave.
 
Antes de matar Rosane no estacionamento em que ela guardava seu carro, Rezende teria, no dia dos fatos, ido à agência do banco Itaú, no Centro de Franca, quatro vezes para tentar reatar o relacionamento. Segundo o delegado Márcio Murari, da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), o comerciante tentou conversar com a ex-namorada. “Diante da insistência e do número de vezes em que esteve no banco, conforme algumas pessoas já relataram, a vítima pediu que uma amiga a acompanhasse até o estacionamento para ver se o Breno não estava pelas imediações. Há informações de que ela estava considerando a possibilidade de registrar um boletim de ocorrência contra o ex-namorado”, disse.
 
Após se despedir da amiga (ainda fora do estacionamento), a bancária chegava ao carro quando o comerciante entrou no estacionamento a pé e, de forma repentina, a abordou. O manobrista que trabalhava no momento da chegada de Rezende percebeu que o acusado estava agitado e havia assustado Rosane ao se aproximar e abraçá-la. O manobrista foi embora após a jovem dizer estar bem. 
 
No entanto, estando a sós com a ex-namorada, o comerciante aproveitou-se para sacar um revólver calibre 38. Um disparo foi suficiente para que ela caísse no chão, ao lado do carro, morta. Pessoas que trabalham nas imediações do estacionamento, na rua Júlio Cardoso, garantiram não terem ouvir nada. “Não vi nada do que estava acontecendo e não ouvi nenhum barulho de disparo. É difícil de acreditar”, relatou um vendedor, que pediu anonimato. 
 
Depois de matar Rosane, Rezende dirigiu sua pick-up Saveiro até a rua Campos Salles e a estacionou em frente à uma pastelaria. De lá, ligou para um  familiar, contou o que havia feito, que estava no Centro e que se mataria. Ele foi encontrado ensanguentado após dar um tiro na boca. Acabou socorrido até a Santa Casa. Em uma carta, ele pediu perdão aos próprios familiares, sem mencionar Rosane ou sua família. O restante do conteúdo não foi divulgado pela Polícia Civil, que apreendeu o revólver usado no crime e a carta. A arma não teria registro e sua procedência também será investigada.
 
Ontem à tarde, sob muita comoção, aplausos e revolta, Rosane foi sepultada no Cemitério Santo Agostinho. Companheiros de trabalho da jovem descrita como cheia de vida também a homenagearam. O assassinato, registrado como homicídio qualificado, com especificação de feminicídio (crime contra a mulher), e violência doméstica, está sob com a DIG. Nos próximos dias, familiares e testemunhas serão ouvidos.

Estado de saúde
Uma semana após sair do Hospital Psiquiátrico Allan Kardec, onde ficou internado, Breno Rezende matou Rosane e atentou contra a própria vida. Como não conseguiu, foi socorrido e, na noite de terça, transferido para o Hospital Regional. Ele permanece internado em estado grave no Centro de Terapia Intensiva sob sigilo médico e escolta policial.

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