Brasileiras viajam para dar à luz em Miami para garantir cidadania americana ao filho


| Tempo de leitura: 3 min
Bianka Zad e seu filho Enrico
Bianka Zad e seu filho Enrico

A empresária paulistana Bianka Zad viajou à Miami, na Flória, para dar à luz seu filho. A intenção da mãe era que o bebê tivesse direito à cidadania americana e melhores oportunidades no futuro. 

A Constituição dos Estados Unidos garante a cidadania a todas as crianças nascidas no país, mesmo as filhas de turistas ou imigrantes ilegais. “Mesmo antes de saber que estava grávida, eu já queria fazer o parto lá”, contou Zad. Ela embarcou para o país na trigésima segunda semana de gestação e se hospedou em um apartamento que havia comprado há alguns anos para passar férias.

Enrico, o filho da empresária, nasceu no dia 22 de maio, e ela retornou ao Brasil dois meses depois com os dois passaportes da criança, o americano e o brasileiro. De acordo com ela, para obter o passaporte americano ela apenas teve de registrar o nascimento em um cartório e levar o bebê a um centro do governo, em um processo que levou 20 minutos. O passaporte chegou pelo correio 20 dias depois e ela relatou não ter sofrido nenhum tipo de constrangimento nem ter que prestar esclarecimentos às autoridades.

O parto no país foi possível com a ajuda da agência "Ser Mamãe em Miami", especializada em partos de brasileiras na cidade. Fundada pelo médico Wladimir Lorentz, que mora nos EUA há 17 anos, a agência já atendeu quatro mulheres e lançou um site com seus serviços. Três pacotes de partos são oferecidos: o normal sai por US$ 9.840 (cerca de R$ 37.800); a cesárea US$ 11.390 (R$ 43.700); e o múltiplo (gêmeos ou mais), US$ 14.730 (R$ 56.600), com inclusão de atendimentos pré e pós-natal, três dias de internação hospitalar e exames para mãe e bebê.

“Uma grávida em São Paulo que comece o trabalho de parto na hora do rush corre o risco de dar à luz no meio do trânsito ou acabar num hospital ruim", disse o médico à BBC Brasil. "Aqui não tem esse perigo”. O atendimento é feito em português e a grávida pode viajar com visto de turista, também válido para receber cuidados médicos nos Estados Unidos. O maior problema, segundo ele, é convencer os brasileiros que o serviço é legal.

Ter um filho americano não dá o direito aos pais de morar nos Estados Unidos, e o pedido pode der feito apenas quando o filho em questão completar 21 anos. Isso, entretanto, não impedem que milhares de mulheres viajem ao país para realizar seus partos.

A advogada e contadora paulistana Irene Kim viajou à Miami para fazer o enxoval de seu primeiro filho, mas ao descobrir que colocaria sua saúde em risco ao viajar de avião antes do nascimento, decidiu fazer o parto por lá. Quando descobriu que seu filho teria cidadania americana, já fez planos para migrar legalmente para os EUA nos próximos anos. “Aqui a educação é gratuita, enquanto no Brasil uma educação de qualidade consome grande parte da renda familiar”, explicou, citando também a insegurança do Brasil como motivo de mudança.

As informações são do R7.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários