O ministro da Fazenda, de acordo com compromissos diplomáticos do Estado brasileiro, deveria ter embarcar rumo à Turquia semana passada, para participar de reunião de Ministros da Economia e chefes de bancos centrais do G20, grupo que reúne os países mais industrializados do mundo.
Lá, junto a eles, tentaria encontrar, soluções para dois dos principais desafios que estão assolando a economia internacional: a desaceleração na China e provável alta das taxas de juros nos EUA.
Dadas as circunstâncias que cercaram o fechamento da proposta orçamentária federal, o ministro chegou a ensaiar um vai não vai que acabou não acontecendo graças à intervenção presidencial que o ‘prestigiou’.
Na linguagem futebolística, quando um presidente de clube acossado por torcedores e pela crônica esportiva afirma que o técnico está ‘prestigiado’, sabemos o que acontece, mas não foi o que houve em Brasília: Levy foi, de fato, acolhido por seus colegas ministros . Depois, mesmo atrasado, seguiu na direção de Ancara. No cargo.
De lá, chegou a cobrar do governo (leia-se da presidente) revisão da peça orçamentária que fora encaminhada ao congresso, com déficit histórico.
Essa revisão nos coloca diante de um dilema: eles aumentarão impostos ou cortarão mais gastos? A presidente anunciou que já cortou tudo que podia. Portanto, só nos resta esperar por mais aumentos na carga tributária.
O ministro foi para a Turquia, mas o país embarca firme rumo à Grécia, no sentido figurado, é claro. A economia brasileira está mais à deriva do que barco de imigrante árabe e africano rumo à Europa. O Tesouro Nacional não tem recursos para investimentos, a Previdência Social não resiste mais. Aliás, naufragou, e sem perspectivas de voltar à tona. Nós, simples mortais, desempregados, não temos condições de conviver com os preços lá nas alturas.
Para os empresários, o custo Brasil está aí, impávido. E o pior, não temos nem o FMI e nem a União Europeia para nos lançar um bote salva-vidas.
Vicente P. Oliveira
Economista - FEA/USP
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