Quando o cidadão paga seus impostos, taxas e tarifas, espera que pelo menos tenha um retorno condizente com os altos valores cobrados. Como no começo do ano, o governo federal jogou nas costas dos consumidores, principalmente nas regiões mais populosas do País, a obrigação de financiar integralmente o sistema elétrico brasileiro, pagando principalmente pela falta de investimentos e infraestrutura do setor, além de subsidiar o fornecimento em regiões mais pobres, o contribuinte não merece passar pelo que ocorreu ontem em Franca. Enquanto a conta de luz teve aumentos muito acima da inflação, chegando a dobrar de valor em alguns casos, não se esperava que grandes regiões da cidade ficassem sem energia por horas a fio, sem conseguir qualquer contato com a CPFL Paulista, responsável pelo fornecimento de energia elétrica no município.
A forte chuva do final da tarde foi fator determinante para demonstrar que não há, pelo menos por aqui, uma preocupação com a modernização de toda a linha de transmissão, desde a geração nas hidrelétricas até a rede doméstica, responsável por abastecer as residências. Foi um transtorno para quem, como é praxe nos dias de hoje, depende deste importante recurso para quase tudo: desde a manutenção de alimentos perecíveis nas geladeiras até a utilização de telefones fixos e computadores, da abertura de portões e portas eletrônicos até o sagrado banho diário. Podia-se se ver, na noite de ontem, milhares de residências iluminadas à luz de velas. Ao mesmo tempo, nenhuma informação da empresa responsável sobre quando o problema seria resolvido. Muitos leitores do Comércio e ouvintes da Difusora telefonaram ao GCN para conseguir informações.
Que o sistema está sobrecarregado, não se tem mais dúvidas. Que faltam investimentos mais robustos, também. Franca, principalmente, conta com uma rede aérea suscetível a acidentes causados, principalmente, por fatores climáticos. Não há, pelo menos por aqui, qualquer iniciativa em transformar esta rede aérea (que também comporta iluminação pública e linhas de telefone e TV a cabo) em subterrânea, conforme já fizeram várias grandes cidades em todo o mundo, para evitar que a queda de um poste deixe um município quase inteiro sem luz, como aconteceu em alguns setores das zonas Leste e Norte da cidade, ontem. Algumas ruas do Jardim Éden, por exemplo, ainda estavam sem energia (que caiu às 17h30) por volta de 22h30, sem qualquer prognóstico de retorno. É assim que o nosso dinheiro é respeitado? As cobranças são pontuais e os consumidores que atrasam são penalizados com juros e podem até sofrer corte de fornecimento. E os seus prejuízos, quem vai pagar?
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