Servidores de Delfinópolis declaram greve devido a atrasos no pagamento


| Tempo de leitura: 3 min
Represa de Delfinópolis começou a secar no ano passado. Prefeito Paulo Pinto diz que baixa prejudicou ‘demais’ o município
Represa de Delfinópolis começou a secar no ano passado. Prefeito Paulo Pinto diz que baixa prejudicou ‘demais’ o município
O Sindicato dos Servidores Públicos de Delfinópolis anunciou, ontem, que 50% dos 600 servidores municipais deverão deflagrar greve, por tempo indeterminado, a partir desta quarta-feira. De acordo com o presidente sindical, Júlio César Resende, a ação é um protesto contra atrasos no pagamento dos salários dos trabalhadores. 
 
“Os servidores vêm recebendo os salários atrasados há uns cinco meses. A Prefeitura não está respeitando a legislação, que diz que o pagamento deve ser feito até o 5º dia útil, e vem causando grandes prejuízos”, disse ele. “No mês passado, por exemplo, teve servidor que recebeu no dia 14.” 
 
Ainda segundo Resende, a Prefeitura teria se comprometido a regularizar os pagamentos durante uma audiência ocorrida em julho, no Ministério Público do Trabalho, e que a greve teria sido definida em assembléia ocorrida em 1º de setembro - com a participação de mais de cem servidores. 
 
A Prefeitura alega ter sofrido queda drástica em sua receita - em grande parte gerada pelos baixos níveis do Rio Grande - e, segundo o prefeito, Pedro Paulo Pinto (PMDB), a maioria dos servidores estaria recebendo em dia seus vencimentos. “Cerca de 60% dos funcionários estão com o pagamento em dia, sem atraso. Mas, tem uma parcela que ganha mais, que chegamos a atrasar o pagamento”, disse o prefeito. 
 
Para ele, a deflagração da greve é ainda precipitada. “Esse atraso, que não é grande - porque acredito pagar a quem falta até o dia 10 - não precisava chegar ao ponto de greve. O presidente do Sindicato deveria agir com responsabilidade. Temos pacientes que realizam tratamento contra o câncer em Ribeirão Preto, Barretos, Passos, São Paulo... Como vai dizer para os motoristas entrarem em greve de um dia para o outro? Poderiam ter me dado um prazo; avisar sobre a paralisação com apenas cinco dias para o início é difícil”, disse.
 
Receita Municipal cai 80%
O principal motivo apontado pela Prefeitura de Delfinópolis para explicar os atrasos no pagamento de parte dos servidores foi a dificuldade financeira pela qual atravessa a cidade. De acordo com o prefeito local, Pedro Paulo Pinto, o faturamento do Município caiu cerca de 80% este ano.
 
“A baixa do reservatório da represa prejudicou demais o município”, disse ele. “O ITBI ( Imposto de Transmissão de Bens Imóveis) que também gerava receita sobre as transações no município acabou, não existe mais. É raro acontecer vendas de terra, terrenos e ranchos, hoje em dia. A nossa receita caiu cerca de 80%”, afirmou o prefeito Pedro Paulo Pinto.
 
Ainda segundo o gestor, as despesas, ao contrário das receitas, não recuaram agravando as dificuldades financeiras de Delfinópolis. Apenas com a folha de pagamento da Prefeitura, seriam gastos mensalmente cerca de R$ 1 milhão; enquanto o faturamento chegaria a R$ 1,9 milhão nos melhores meses. “Mas já cheguei a trabalhar com apenas R$ 1,4 milhão e, administrar uma cidade sem dinheiro, é muito difícil. Temos mais de 2 mil quilômetros de estrada de terra para cuidar; transporte que leva pacientes para tratamentos fora da cidade além da folha de pagamento. Da forma como está, com as receitas caindo, até o fim do ano terei demitir vários funcionários. É uma posição complicadíssima”, concluiu.
 
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários