Os próximos dias serão cruciais para Dilma Rousseff (PT) conseguir se manter na Presidência da República. Os últimos movimentos do xadrez político, em Brasília, demonstram que o PMDB pode passar de mero coadjuvante - e um dos fiadores da manutenção da presidente no Planalto - a personagem principal do que pode acontecer a partir de agora. Na sexta-feira, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) causou quase um terremoto quando disse, durante um evento em São Paulo, que o governo atual corre o risco de não terminar. Mais tarde, diante da repercussão, Temer disse que tinha sido mal interpretado. Mas o estrago já tinha sido feito.
A rejeição a um pedido de impeachment de Dilma já não conta com o apoio irrestrito dos parlamentares peemedebistas. Já há um grupo considerável que avalia a possibilidade, principalmente depois que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) se debruçou sobre as contas de campanha da reeleição da presidente, além dos desdobramentos da operação Lava Jato que podem encalacrar ainda mais o núcleo do poder. Depois que o vice abandonou a articulação política junto ao Congresso, os sinais foram claros para que o PMDB blinde Michel Temer, evitando que as irregularidades apontadas na campanha o atinjam, dando-lhe condições de assumir o cargo no caso do impeachment.
Faltando ainda pouco mais de três anos para o fim do mandato, esta é a grande chance do (ainda) maior partido do Brasil chegar à Presidência e conseguir ainda ser reconhecido como salvador da pátria, caso reverta a crise que hoje atinge o Brasil. A intenção é manter Temer ao largo das denúncias da Lava Jato para viabilizar sua possível posse, mesmo que nomes de proa do partido sejam denunciados e investigados pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Temer reconhece, em círculos mais próximos, ser esta a grande oportunidade de pavimentar o caminho do partido rumo ao maior cargo político do País nas eleições de 2018 pela via das urnas.
Agora, uma ala peemedebista já se aproxima da oposição e conta com as movimentações dos presidentes da Câmara e do Senado, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, respectivamente, para tornar mais difícil o trabalho da equipe de Dilma Rousseff no Congresso e, consequentemente, inviabilizar algumas de suas propostas para o ajuste fiscal. Não há interesse, pelo menos dentro do PMDB, em ajudar a reverter os baixos índices de aprovação da presidente. Os primeiros passos começam a ser dados e as consequências deverão se tornar evidentes nas próximas semanas. Se o PMDB conseguirá atingir os seus objetivos já é outra história. Por isso, é importante que o País acompanhe com bastante atenção os próximos lances.
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