O falso médico Pablo do Nascimento Mussolin, que está preso na Cadeia de Capela do Alto, na região de São Roque, lucrou bastante trabalhando em Franca. Aqui, ele se passava por Pablo Vinícius Thomaz Galvão, que é médico de verdade. Contratado pelo ICV (Instituto Ciências da Vida), Mussolin atuou durante três meses no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”, atendendo mais de 2 mil pessoas. Segundo seu depoimento na polícia, com o dinheiro ganho indevidamente, ele conseguiu comprar dois carrões: uma BMW e uma Land Rover.
O depoimento faz parte de uma ação penal movida pelo Ministério Público de Mairinque contra uma quadrilha de falsos médicos que atuaram em mais de sete municípios, entre eles, Franca. Doze pessoas já foram denunciadas à Justiça. As investigações continuam aqui e na região de Mairinque.
Para a polícia, Pablo contou que veio para Franca a convite de Bertino Rumarco da Costa, outro falso médico. O contato para que trabalhasse na cidade foi feito por telefone. Antes, Pablo já tinha atuado em Várzea Paulista, Vargem Grande do Sul e Cajamar. “Em todos os municípios, com exceção de Cajamar, atuei como contratado do ICV”, disse ele.
Em Franca, ele disse que começou a trabalhar no começo de agosto do ano passado e ficou até o final de outubro. Na cidade, ele era um dos que mais davam plantões. Segundo o relatório de uma sindicância do Cremesp (Conselho Regional de Medicina) feita em setembro de 2014, Pablo teria trabalhado durante 30 dias seguidos sem descanso algum. Ele confirma. “Eu cheguei a morar dentro do pronto-socorro durante dois meses”.
Ainda de acordo com o Cremesp, só em agosto de 2014, Pablo teria recebido mais de R$ 80 mil de salário. À polícia, ele diz que sua remuneração era variável. “Girava em torno de R$ 800 a R$ 1 mil por plantão”. Com o dinheiro que recebia agindo como falso médico, ele diz que investiu em automóveis. “Adquiri uma BMW 320i e uma Land Rover Evoque, que está financiada no meu nome”. Nos sites especializados em venda de carros, o preço da Land Rover varia de R$ 140 mil a R$ 226 mil. O da BMW de R$ 93 mil a R$ 159 mil.
Denúncia
Ainda em seu depoimento à polícia, Pablo conta que muitos “dalites”, como eram chamados os médicos sem registro, alugavam os nomes de médicos verdadeiros para poderem trabalhar. Os valores dos aluguéis chegavam a R$ 20 mil por mês. “O Bertino usava o nome de Naas Adonais Carvalho e pagava R$ 20 mil mensais para o verdadeiro Naas”. No caso dele, ele afirma que o verdadeiro Pablo não sabia de nada.
Histórico
Pablo Mussolin está preso, desde o último dia 17 de julho. Sua prisão deu início a uma investigação pela Polícia Civil de Mairinque, onde ele trabalhava, para apurar a ação de uma quadrilha de falsos médicos que atuavam no interior de São Paulo. Em Franca, já foram identificados pelo menos oito falsários que trabalharam nos PSs da cidade, contratados pelo ICV. Pablo já teve o pedido de liberdade provisória negado duas vezes pela Justiça. Nas decisões, as provas contra ele pesaram. Pablo foi preso em flagrante portando uma carteira de identidade médica falsificada em nome do médico Pablo Vinícius Thomaz Galvão, que é médico de verdade.
Bertino Rumarco da Costa foi preso em julho, mas na última quarta-feira ganhou na Justiça o direito de liberdade provisória, mediante o pagamento de fiança. Dos outros seis, apenas um já se apresentou à polícia e está em liberdade. Os demais ainda estão sendo investigados.
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